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POLÍCIA
Quinta-feira, 26 de Agosto de 2010, 18h:38

CASO MARIA CECÍLIA

DHPP volta a investigar morte obscura ocorrida há dez anos

Mais de 10 anos depois, a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) voltou a investigar a morte da estudante de Direito Maria Cecília Correia da Silva Santos, de 40 anos, ocorrida em março de 2000, em Cuiabá, no bairro Araés. O advogado Waldir Caldas esteve na DHPP solicitando informações do caso e descobriu que desde setembro do ano passado está parado na Comarca Criminal de Cuiabá aguardando pedido de mais prazo. A vítima era esposa de Lindberg Etelvino dos Santos, um oficial da reserva da Polícia Militar. Segundo o advogado, o caso chegou a ser arquivado como suicídio, mas o laudo de perícia no local não correspondia às investigações, pois a trajetória da bala não condizia com um suicídio. Em março de 2004, a delegada Ana Paula de Faria, então lotada na DHPP, retomou as investigações. Na ocasião, a delegada ouviu depoimentos do ex-marido e dos dois filhos de Cecília. A namorada do militar, Paula Regina Oliveira Gomes, também prestou depoimento. Caldas, que na época recorreu ao Ministério Público Estadual (MPE), explicou que até hoje parentes de Cecília não aceitam a versão de que ela se matara. O que mais intriga no suicídio de Cecília é a forma como ela fora achada morta, o que não confirmou se tratar de um suicídio - a polícia descobriu que a cena do crime foi alterada. A arma usada, um revólver de calibre 38, media 17,3 centímetros e fora detonada a dez centímetros da cabeça da vítima, que tinha 1,63 m de altura. Peritos criminais explicaram que o revólver teria de ser encontrado no chão e não no meio de suas pernas, como aparece nas fotografias tiradas pelos peritos. O que chamou a atenção também foram as várias poças de sangue no quarto. “Num suicídio, uma pessoa não andaria pelo recinto, pois a morte é imediata”, explicou um perito. Familiares confirmaram que Maria Cecília estaria enfrentando uma séria crise no casamento. No dia anterior à morte, o casal teria discutido, após chegar de Salvador (BA), onde passou o início do carnaval. Na noite do dia 6 de março, Cecília teria ficado sozinha em casa. O filho saiu para assistir ao carnaval e o militar dormira em um hotel de Cuiabá. Por volta da meio-noite, Cecília telefona para o marido. A morte teria ocorrido logo após a ligação. (AR)

Edição EDIÇÃO 16962




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