POLÍCIA
Terça-feira, 31 de Agosto de 2010, 19h:59
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CASO ANA
Delegado diz saber como militar matou
ADILSON ROSA
Da Reportagem
O delegado Márcio Pieroni disse ontem que já sabe como o soldado PM da Rotam Claudemir de Souza Sales matou a corretora de imóveis Ana Cristina Wommer, de 24, que estava grávida de oito meses e com quem teve um relacionamento extraconjugal. O delegado não quis fornecer detalhes porque depende dos exames complementares que vão esclarecer a causa da morte. A princípio, Ana Cristina morreu de choque hipovolêmico em consequência de uma hemorragia. O feto de oito meses morreu de asfixia ultra-uterina. Ana Cristina foi encontrada morta no dia 24 num terreno próximo do então Hospital Neuropsiquiátrico, na saída para Rondonópolis. Ela havia abortado a filha. Para o delegado, a tentativa de aborto forçado foi por parte do militar, que teria agido com um ou dois cúmplices. Ana Cristina foi vista pela última vez no dia 22, de manhã, após sair de sua casa no bairro Tijucal, para se encontrar com o PM Sales com quem teve um relacionamento extraconjugal. A polícia pediu exame para se certificar de que o bebê era do militar. Na terça-feira, o corpo dela com o feto foi localizado em estado de decomposição. Para o delegado, a apreensão do carpete do porta-malas do Gol preto de placas AQR 1920, de São José dos Pinhais (PR), pertencente ao policial militar, é mais uma prova de que Ana Cristina foi colocada no veículo e jogada num terreno após o Distrito Industrial, na saída para Rondonópolis. Conversamos com a funcionária do lava-jato onde o carro foi lavado e ela nos confirmou o que já desconfiávamos: o carpete estava com muito sangue e havia muitos tufos de cabelo dentro do carro. O cheiro de sangue também era forte, frisou o delegado. A funcionária disse que, no dia 23, por volta das 11 horas, quando o soldado Sales foi buscar o carro que tinha sido deixado horas antes para ser lavado, ele checou o porta-malas e reclamou que o carpete estava intacto. Ele (Sales) arrancou o carpete e, de uma forma ríspida, pediu para a funcionária que lavasse imediatamente. Ela, por sua vez, alegou que quando o cliente pede uma determinada limpeza específica, que retire o acessório, destacou o delegado. A perícia no Gol havia confirmado a presença de sangue no estofado e também alguns cabelos. A apreensão do carpete trouxe mais indícios sobre a presença dos dois itens.