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POLÍCIA
Quarta-feira, 11 de Abril de 2012, 23h:15

HABITAÇÃO

Conjunto habitacional é invadido

Sem esboçar qualquer tipo de pudor, pessoas invadem conjunto habitacional entregue recentemente pelo governo

JARDEL PATRÍCIO ARRUDA
Da Reportagem
Um homem bufando de raiva arrasta um sofá pela rua, em direção a uma ribanceira. Entre várias coisas, ele grita ter esperado por quatro anos para conseguir uma casa e que não vai permitir “malandro” a invadindo. Uma senhora cuja idade já marca o rosto fala em voz baixa, em tom de lamento, que ele poderia apenas ter retirado o móvel de dentro da casa, sem destruir nada. A cena descrita acima e outras parecidas aconteceram no Residencial Alice Novacki, localizado nas proximidades do Distrito Industrial de Cuiabá, durante toda a quarta-feira (11). As casas do local foram entregues há três semanas pela Caixa Econômica Federal para beneficiários do programa de habitação “Minha Casa, Minha Vida”. A situação não foi aceita com calma pelos proprietários. Ao saberem da invasão, muitos deles se dirigiram ao local e passaram a tentar, de diferentes formas, tirar os invasores das casas. Márcio Rodrigo da Cruz, o homem que retirou à força os sofás de dentro da casa, é um exemplo de quem usou de força bruta. Revoltado, ele justifica a atitude: “Eu pago impostos, esperei por quatro anos na fila por essa casa, aí vem alguém e arromba as portas e entra na minha casa só porque ainda não me mudei? Se alguém arromba o seu caro só porque você está fora dele, ele está certo?”. Marinalva Oliveira, outra proprietária, preferiu buscar ajuda da polícia. Ela só conseguiu dinheiro para pagar pelo caminhão da mudança ontem, mas quando chegou a casa já estava ocupada por outra mulher. Apesar de a polícia ter sido convocada, a situação não foi resolvida. A invasora, identificada apenas como Sandra, se nega a sair da casa. Ela tem dois filhos, está grávida de outro e por isso considera ter mais necessidade do que a proprietária de fato, portanto, só sairá de lá após a manifestação das autoridades. Entretanto, isso dependerá da ação individual dos proprietários. A Secretaria de Cidades e a Caixa Econômica Federal informaram, através de suas assessorias, que após a assinatura dos contratos as casas são de responsabilidades dos proprietários, cabendo a eles qualquer medida contra as invasões. Enquanto as duas mulheres disputavam pela casa, várias outras invasões ocorriam, simultaneamente, no resto do residencial. Sem qualquer pudor, os populares circulavam pelo bairro em busca de uma casa desocupada. Assim que identificavam uma, arrobavam-na e levavam uma pequena mudança para “segurar” o lugar. O líder comunitário do residencial, Ademar Alves Silva, não concorda que os invasores têm feito isso por necessidade. “Se fosse para morar eu até entendia, mas eles entram, seguram um tempo e querem vender. Tem malandro por trás disso”.

Edição EDIÇÃO 16959




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