POLÍCIA
Quarta-feira, 22 de Junho de 2011, 21h:55
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PENITENCIÁRIA
Chuço volta a ser causador de morte
Laudo do IML causa reviravolta no caso da execução do carcereiro Wesley Santos, no Pascoal Ramos. Declaração de óbito traz projétil de arma de fogo
ADILSON ROSA E RENÊ DIÓZ
Da Reportagem
Contrariando informações oficiais anteriores, o Instituto de Medicina Legal (IML) atribuiu a golpes de chuço (tipo de arma rudimentar confeccionada com pedaços de metal) a morte do agente penitenciário Wesley da Silva Santos, de 24 anos, assassinado na segunda-feira durante seu terceiro plantão de trabalho nos corredores da Penitenciária Central do Estado. O laudo polemiza com a declaração de óbito, que registrava projétil de arma de fogo (PAF) tiros como a causa mortis. Segundo o diretor metropolitano do IML, Jorge Caramuru, Wesley morreu após perda excessiva de sangue por ferimento contuso com entrada no oitavo espaço costal direito com lesão do estômago, diafragma e ventrículo esquerdo do coração, causado por instrumento perfuro contundente. Já o projétil, que o IML não aponta como fatal, teria causado um ferimento no antebraço esquerdo com fratura e ápice do pulmão direito. Devido à polêmica com a declaração de óbito, cuja cópia foi utilizada pela família de Wesley para liberar e sepultar o corpo, o laudo causou crise entre a Polícia Civil e o IML, pois a informação de que o agente não morreu devido a um tiro impede indiciamento dos policiais envolvidos, fazendo recair a culpa sobre os detentos, que negam ter ferido o agente prisional. Os policiais que investigavam o caso informaram que foram retirados do corpo de Wesley três fragmentos de chumbo, que foram requisitados pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa para anexar ao inquérito. Caramuru questionou a validade da informação anterior a de que Wesley teria morrido ferido por arma de fogo perante o laudo de necropsia do IML. Só existe um laudo, enfatizou. Os relatos até o momento são de que Wesley estava conduzindo um grupo de presos no corredor do raio 3 da penitenciária. Os presos o teriam dominado e ferido com um chuço. Na confusão, a polícia disparou e os tiros acabaram acertando Wesley e três presos, entre eles Uenes Brito dos Santos, 22 anos, que não resistiu. O IML apontou que ele morreu por lesão dos grandes vasos ilíacos à esquerda com perda excessiva de sangue causada por projétil de arma de fogo. O Ministério Público Estadual acompanhará as investigações sobre o duplo homicídio na penitenciária. A intenção é apurar as condutas de Wesley e Uenes e as falhas do sistema que possibilitaram a situação. O episódio deflagrou uma paralisação dos agentes do sistema penitenciário, que interromperam visitas nas prisões e restringiram saídas (apenas para atendimento no Fórum). Uma lista com 12 pontos de reivindicações foi entregue ao governo durante a tarde. Desde as 15h o titular da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, Paulo Lessa, esteve reunido com representantes dos agentes, como o presidente do respectivo sindicato João Batista Pereira. Até o fechamento desta edição, a reunião não havia terminado e deveria se estender pela noite.