POLÍCIA
Sábado, 06 de Março de 2010, 13h:36
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MENINO MAU
Aclides estará de novo no banco dos réus
Com 96 anos de pena a cumprir, o pastor evangélico Aclides Marcelo Gomes, de 30 anos, mais conhecido como Menino Mau, sentará mais uma vez no banco dos réus do Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá. Na próxima sexta-feira, ele será julgado pelo assassinato de Luciano Rodrigues de Magalhães, ocorrido há 12 anos, no bairro Planalto. Esse será o sexto julgamento de Aclides, que cumpre pena na Cadeia Pública do Carumbé. A maior parte dos crimes julgados é de homicídios, a especialidade do menino mau. São pessoas executadas a pancadas e pedradas, sem um motivo aparente. Dos 96 anos decretados de prisão, 48 foram da condenação pela chamada Chacina do Altos da Serra, que resultou na morte de seis pessoas, em março de 2001, em Cuiabá. Ele foi condenado como mandante da chacina, marcada pelos requintes de crueldade. Das sete pessoas atacadas, uma delas se fingiu de morta e foi salva por isso. Aclides, no entanto, só confessou o assassinato de uma pessoa. Ele confirmou que os assassinatos ocorreram por um desentendimento com a responsável por uma boca-de-fumo. Eu só tinha dois reais e queria maconha. Mandei dois meninos irem buscar e dizerem que era para mim, para o pessoal da boca ver o que fazia. Lá, não quiseram vender dizendo que não me conheciam e desfizeram de mim, falou ele. Então, Aclides e dois cúmplices, um deles menor de idade, foram até a casa de Vanderlei Kisels, conhecido como Amapola, onde a droga era vendida, e arrombaram a porta do local. Disse aos meninos que fizessem o que eles quisessem com Amapola e com o rapaz que estava com ele, e que depois colocassem fogo em tudo, relatou. Aclides revelou que não participou diretamente do crime. Enquanto eles faziam as atrocidades, eu estava bolando a maconha, disse. Contudo, enquanto preparava o fumo na rua, alguém o avisou que na casa de cima morava a vítima principal, Gonçalina da Guia Campos. Não gostava dela porque me entregou diversas vezes à polícia. Ela não gostava de mim porque eu tinha um caso com a sobrinha dela, falou. O condenado disse que invadiu a casa de Gonçalina, atirou na mulher na frente dos filhos dela, de 12 e 14 anos, e contou que seus acompanhantes assassinaram dois homens que estavam escondidos embaixo da cama da mulher. Depois, o grupo ateou fogo na casa. As crianças que sobreviveram entregaram Aclides à polícia. Aclides deverá ser julgado por mais seis homicídios ocorridos até 2001. Mesmo com a pena chegando a 150 anos de condenação, a lei brasileira prevê o máximo de 30 anos de reclusão.