MUNDO
Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011, 18h:57
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GUERRILHEIROS
Turquia confunde e mata 35 civis
O governo da Turquia confirmou ontem que as 35 pessoas mortas em um ataque de sua força aérea no Iraque eram civis que trabalhavam como contrabandistas, e que os pilotos os confundiram com guerrilheiros curdos do PKK (Partido de Trabalhadores do Curdistão). "De acordo com as informações recebidas pelo escritório do governador de Sirnak e outros representantes do Estado, [as vítimas] estavam praticando o contrabando de tabaco", admitiu Hüseyin Çelik, vice-presidente do partido governamental AKP em um discurso transmitido pela televisão. Çelik explicou que a força aérea tinha bombardeado contrabandistas em um "acidente operacional", acreditando que eles eram guerrilheiros do PKK. Segundo o político, "será feito tudo o que for necessário, dentro da lei, se for provado que houve um erro", deixando aberta a possibilidade de compensar as famílias das vítimas. "Foi constatado que estas pessoas não eram terroristas, mas contrabandistas. E embora seja 100% certo de que se tratava de contrabandistas, não há necessidade de bombardeá-los", declarou. "É um incidente triste. Entre os mortos há filhos dos guardas rurais (uma milícia curda a serviço do governo, oposta ao PKK) e o filho de um soldado veterano. Em nome de nosso partido expressamos nossas condolências", concluiu Çelik. De acordo com a agência de notícias privada turca Dogan, alguns aviões não tripulados descobriram o grupo de pessoas na região de Uludere entre o fim da noite passada e o início desta madrugada, e o Exército da Turquia decidiu atacá-los nas primeiras horas de ontem com caças-bombardeiros F16. As autoridades locais já admitiam no início do dia que as vítimas contrabandeavam açúcar e combustível para a Turquia e podiam ter sido confundidas por rebeldes do PKK. "Havia rumores de que o PKK iria cruzar esta região. Foram feitas imagens de uma multidão cruzando a área na noite passada, por isso foi realizada uma operação", disse uma fonte do setor de segurança citada pela agência Reuters. "Não tínhamos como saber se esse pessoal era membro do grupo (PKK) ou contrabandistas", afirmou. Os serviços de segurança locais confirmaram o bombardeio. As autoridades turcas afirmaram que o incidente ocorreu no lado iraquiano da fronteira. A copresidente do partido pró-curdo Paz e Democracia (BDP), Gültan Kisanak, criticou o governo por assegurar que ele "conhece muito bem as rotas dos contrabandistas". Selahattin Demirbas, também copresidente da mesma legenda, anunciou três dias de luto. Em várias cidades do sudeste da Turquia, de maioria curda, houve protestos, assim como em Istambul, onde cerca de cem jovens bloquearam uma importante avenida, antes de serem retirados pela polícia com jatos d'água e gás lacrimogêneo.