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MUNDO
Sexta-feira, 01 de Novembro de 2013, 19h:08

Snowden pode depor no caso de espionagem à Merkel

O ex-consultor da NSA americano Edward Snowden poderá depor ante promotores alemães no caso do grampo no celular da chanceler alemã Angela Merkel sem sair da Rússia, declarou seu advogado, Anatoli Kucherena, confirmando a informação adiantada pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung. "Dentro dos acordos internacionais, Snowden pode dar testemunho na Rússia, mas são as autoridades alemães que devem decidir", declarou o advogado à rádio Eco de Moscou. Snowden tem estatuto de refugiado na Rússia. "Snowden não irá à Alemanha. É impossível porque não tem direito para cruzar a fronteira. Se o fizer, pode perder seu estatuto de refugiado", acrescentou. Snowden se reuniu na quinta-feira em um local secreto com o deputado ecologista alemão Hans-Christian Stroebele, acompanhado por dois jornalistas. "O encontro foi bom", afirmou Kucherena, acrescentando que o deputado indagou se Snowden poderia ser testemunha no caso da suposta espionagem a Merkel. "Snowden está disposto a cooperar com todo o mundo, não há proibição. Ele próprio decide com quem se comunica, e quando", acrescentou Kucherena. "Snowden demonstrou que sabe muitas coisas. Está disposto, a princípio, a esclarecer estes casos", afirmou Stroebele ao principal canal de TV alemão, ARD. O deputado acrescentou que Snowden estaria, inclusive, disposto a ir a Alemanha para depor, mas que é preciso que as condições permitam isso. Stroebele também propôs que a audiência seja realizada na Rússia. A disponibilidade para cooperar foi oferecida por meio de uma carta (abaixo) enviada ao governo alemão, Bundestag (Parlamento aleimão) e Procuradoria Geral. "Quando forem resolvidas as dificuldades sobre minha situação pessoal estarei em condições de cooperar na busca responsável dos fatos" e para esclarecer "a verdade e autenticidade dos documentos" publicados, disse o jovem no texto. Snowden explicou na carta que "no curso de seus serviços" para a Agência de Segurança Nacional (NSA) e a CIA (agência de inteligência americana) presenciou "violações sistemáticas da lei" por parte do governo americano, o que gerou o "dever moral" de denunciá-las. "Como resultado de denunciar estas preocupações enfrentei uma intensa e sustentada campanha de perseguição que me obrigou a me afastar da minha família e de meu lar", afirmou Snowden. Embora considere positivo o efeito de suas revelações, Snowden acusa o governo americano de tratar "a dissensão como traição" e de tentar "criminalizar o discurso político como delito". "No entanto, dizer a verdade não é um crime", disse o ex -técnico da CIA na carta.

Edição EDIÇÃO 16964




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