O governo da Síria rejeitou a proposta da Rússia de se reunir com membros da oposição em Moscou, segundo informaram ontem fontes diplomáticas citadas pela agência Interfax. O embaixador da Síria em Moscou, Riyad Haddad, confirmou ontem que a Rússia havia informado ao governo sírio sobre os planos de receber membros da oposição do país árabe. "A Rússia insiste que o diálogo é a única via possível de saída para a crise. Nós também queremos sair da crise o quanto antes", disse o embaixador. O representante do Kremlin para África e Oriente Médio, Mijaíl Marguélov, convidou governo e opositores a se encontrarem na capital russa para travar um diálogo com o objetivo de encontrar uma solução para os violentos distúrbios que ocorrem na Síria desde o início do ano. "Temos que começar o quanto antes um autêntico diálogo político. Esse diálogo nacional deve se dar com todas as partes, e não só com aqueles com os quais mais convém", disse o diplomata após se reunir com uma delegação da oposição síria em Moscou. Marguélov disse ainda que representantes da oposição síria se encontrarão nesta segunda-feira com o vice-ministro russo de Relações Exteriores, Vsévolod Bogdánov. "No nosso modo de ver, o diálogo político amplo, com a participação de todas as forças construtivas, o governo e a oposição, é a única alternativa", disse no domingo o vice-ministro em entrevista à agência russa RIA-Nóvosti. Um porta-voz da oposição síria estabelecido em Moscou, Mahmoud al Hamza, disse entretanto que os representantes da oposição que estão em Moscou não são autênticos opositores a Assad. "Esses representantes mantêm estreitas relações com o governo. São leais às autoridades", disse à agência Interfax. "Essa delegação não tem nada a ver com a oposição. Estão contra a insurgência. Foi organizada pelas próprias autoridades sírias e tenho provas. Isso é um espetáculo para a imprensa", criticou Hamza. No dia 4 de outubro, Rússia e China exerceram seu direito de veto no Conselho de Segurança da ONU para impedir a aprovação de uma resolução que condenaria a Síria pela repressão aos manifestantes.