MUNDO
Quinta-feira, 31 de Maio de 2012, 20h:54
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TEMOR/ONU
Síria pode mergulhar em uma guerra civil
A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, acusou o regime sírio de "mentir descaradamente" sobre a autoria do massacre na cidade de Houla
RENATA GIRALDI
Da Agência Brasil Brasília
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, alertou ontem sobre as ameaças de uma catastrófica guerra civil na Síria. Para ele, os riscos aumentaram depois do massacre de 108 pessoas, inclusive crianças, em Houla, no centro do país. Ontem, organizações não governamentais informaram sobre um massacre de 13 homens mortos a tiros cujos corpos foram encontrados com as mãos e os pés amarrados. Os massacres, como o do último fim de semana [o de Houla], podem mergulhar a Síria em uma catastrófica guerra civil. Guerra civil da qual o país vai ter dificuldades para se recompor, alertou Ki-moon durante o fórum com os chamados parceiros da Aliança de Civilizações. Para ele, é fundamental implementar o plano de paz negociado pelo emissário da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, e negociar o fim da violência na região. A estimativa é que mais de 10 mil pessoas tenham morrido em cerca de 14 meses de conflitos. Peço para que a administração síria honre seu compromisso de aplicar o plano de paz de Annan, apelou. Na última terça-feira Kofi Annan conversou com o presidente sírio, Bashar Al Assad, e pediu que ele tome medidas corajosas encerrando a onda de violência. Segundo Assad, as dificuldades são impostas por terroristas armados, ele nega a ação do governo nos massacres. Ki-moon lembrou ainda que os cerca de 300 observadores da ONU que estão na Síria são os olhos e os ouvidos da comunidade internacional para que responsáveis pelos crimes possam prestar contas. Nós não estamos lá [na Síria] para assumir o papel de um observador passivo perante atrocidades sem nome, disse ele. EUA A embaixadora dos Estados Unidos na ONU (Organização das Nações Unidas), Susan Rice, acusou o regime sírio de "mentir descaradamente" sobre a autoria do massacre de Houla, em que 108 pessoas morreram, na última sexta-feira. "Trata-se de outra mentira descarada. Não há nenhuma prova objetiva que apoie essa interpretação dos acontecimentos, tampouco dentro da versão documentada pelos observadores da ONU sobre o terreno", afirmou Rice, após sair de uma reunião do Conselho de Segurança. A diplomata disse que o uso de artilharia pesada e de milícias nas mortes dos civis em Houla "não deixam dúvidas" sobre o que aconteceu e que pedirá uma investigação ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. Rice também pediu maior pressão de Rússia e China sobre o ditador Bashar al Assad e se referiu à chegada de um barco russo com armas para a Síria. "Deve-se condenar que as armas continuem chegando a um regime que continua usando uma força horrível e desproporcional contra seu povo". CULPADO Mais cedo, o general Kassem Jamaleddine, chefe da comissão que investigou o massacre de Houla, afirmou que a ação foi cometida por "grupos armados", de acordo com resultados de investigações preliminares das autoridades sírias. "Grupos armados assassinaram famílias pacíficas", anunciou Jamaleddine, durante uma coletiva de imprensa, afirmando que essas famílias "haviam recusado a se colocar contra o governo e não concordavam com os grupos armados", referindo-se à oposição armada que combate as tropas do governo. Ele afirmou que "entre 600 e 800 homens armados, vindos de regiões vizinhas de Houla, começaram a atacar a região e as tropas governamentais".