Revelações sugerem que o serviço de espionagem do Paquistão pode estar ajudando o Taleban a realizar ataques contra as forças internacionais no Afeganistão
O governo do presidente americano, Barack Obama, qualificou o vazamento de 91 mil documentos militares pelo site Wikileaks como ilegal e uma ameaça ao esforço de guerra do país no Afeganistão. De acordo com o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, Obama soube do vazamento na semana passada, quando representantes de jornais que publicaram o vazamento (The New York Times, The Guardian e Der Spiegel) se reuniram com membros do governo. Muitos dos documentos sugerem que o serviço de espionagem do Paquistão pode estar ajudando o Taleban a planejar e realizar ataques contra as forças internacionais no Afeganistão. Alguns relatórios também apontam a cooperação dos paquistaneses com a organização terrorista Al-Qaeda. Oficiais da inteligência americana dizem que há alguns anos o Paquistão cortou o contato com os grupos taleban. O material, porém, sugere que o diretório de Interserviços de Inteligência, conhecido também como ISI, pode ter ajudado os rebeldes pelo menos no passado. Os documentos detalham várias ocasiões de cooperação entre o general aposentado Hamid Gul, chefe do ISI no fim da década de 80, e os insurgentes afegãos que lutavam contra os americanos nas regiões montanhosas do leste do país. Segundo eles, o general auxiliava combatentes mujaheddin e tentava estabelecer contato com Gulbuddin Hekmatyar e Jalaluddin Haqqani, dois dos maiores líderes insurgentes do Afeganistão. Além dos últimos dois, Gul também fez contato direto com Mohammed Omar, atual líder do Taleban. O governo paquistanês negou as alegações. "Esses relatórios não refletem nada além de comentários e rumores de apenas uma fonte, que não considera os lados do Afeganistão e do Paquistão e geralmente se revelam falsos depois de melhor examinados", disse Husain Haqqani, embaixador do Paquistão nos EUA. Boa parte do material divulgado também apresenta queixas de funcionários do governo e civis afegãos. Há reclamações sobre tropas mal equipadas, autoridades corruptas e sobre tropas americanas que parecem aguardar recursos para lutar. AMANIZA A agência de espionagem mais importante do Paquistão comunicou ontem que os documentos secretos dos EUA divulgados por um site que acusam os paquistaneses de compactuar com os insurgentes no Afeganistão são maliciosos e sem fundamento. Um funcionário da agência negou as alegações dos documentos e disse que eles contêm informações básicas de espionagem que não haviam sido checadas e que tinham a intenção de manchar a reputação do órgão. O agente não quis ser identificado, de acordo com as políticas da empresa.