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MUNDO
Terça-feira, 07 de Fevereiro de 2012, 20h:24

SÍRIA

Revolta já matou pelo menos 400 crianças

O ditador da Síria, Bashar al Assad, afirmou ontem que pretende colaborar com qualquer esforço para estabilizar o país. EUA se dizem céticos com as promessas do ditador

Pelo menos 400 crianças foram mortas na Síria desde o início da revolta contra o regime do presidente Bashar Al Assad em março de 2011, indicou ontem o Fundo dos Nações Unidas para a Infância (Unicef). Além disso, mais 400 crianças teriam sido detidas. “Segundo os números de que dispomos, dezembro foi o mês mais violento para as crianças na Síria”, declarou uma porta-voz do Unicef Marixie Mercado. "Há relatórios que indicam que crianças foram detidas arbitrariamente, torturadas e abusadas sexualmente durante a detenção", acrescentou. O Unicef está particularmente preocupado com a situação em Homs, no centro da Síria. Entretanto, a porta-voz declarou que o fundo não tem acesso à zona dos ataques e que, por isso, não pode avaliar o número de vítimas. "Os feridos devem ter acesso imediato e incondicional aos cuidados médicos especializados", insistiu Marixie Mercado. Esse apelo do Unicef surgiu depois do veto da Rússia e da China no sábado no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas de um projeto de resolução para condenar a repressão do regime sírio. A repressão já provocou pelo menos 5 mil mortos desde meados de março de 2011, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). CETICISMO Os Estados Unidos manifestaram ceticismo em relação às promessas feitas pelo ditador sírio, Bashar al Assad, ao ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, e pediram que Damasco coloque fim à violência imediatamente. Durante coletiva à imprensa, a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, criticou as novas promessas de reformas democráticas feitas pelo ditador três dias depois dos vetos de chineses e russos a uma condenação da repressão na Síria pelas Nações Unidas. "Vocês compreendem por que a comunidade internacional em seu conjunto está muito cética quando vemos que, em vez de tentar pôr fim à violência, Assad repete as mesmas propostas que faz há meses", declarou Nuland. Lavrov declarou ontem em Damasco que teve uma reunião "muito útil" com Assad, que prometeu a ele "pôr fim à violência de onde quer que venha". O chefe da diplomacia russa acrescentou que Assad anunciará em breve o calendário de um referendo sobre uma nova constituição. A ideia "parece ser uma nova promessa por parte do regime Assad que consiste em anunciar uma eleição que ele pode controlar totalmente", acrescentou a porta-voz americana. "Não vemos como isso pode favorecer um diálogo nacional", disse ela. Uma das maiores responsáveis pelo bloqueio da resolução na ONU, a Rússia enviou seu ministro das Relações Exteriores à Síria, numa iniciativa saudada até mesmo por países ocidentais que criticaram sua postura no Conselho de Segurança. “Cada líder de cada país deve estar consciente de sua parte de responsabilidade. Vocês estão conscientes das suas", disse o ministro russo em Damasco, em declarações reproduzidas pela agência estatal Ria. Lavrov declarou que é "do nosso interesse que os povos árabes possam viver em paz e harmonia", ainda conforme a agência estatal. Anteontem, o representante russo acusou a reação "indecente e histérica" do ocidente, explicando que a Rússia vetou a resolução porque não mencionava a necessidade para a oposição de tomar distância "dos extremistas armados". As autoridades russas afirmaram que têm "a intenção de fazer todo o possível para estabilizar rapidamente" a Síria e favorecer a execução de "reformas democráticas indispensáveis". RETIRADA Ontem, três países da Europa Ocidental anunciaram que vão retirar os embaixadores e o corpo diplomático da Síria, após os Estados Unidos e o Reino Unido terem anunciado a saída de seus representantes. O governo da Espanha anunciou o retorno de seu embaixador a Madri para consultas em decorrência do agravamento da repressão. Mais cedo, a França convocou o seu representante no país, Eric Chevallier. Mais cedo, a Itália também chamou seu embaixador na Síria por causa das "violências inaceitáveis realizadas pelo regime de Damasco", segundo o ministério italiano das Relações Exteriores em um comunicado. Na véspera, o Reino Unido convocou seu embaixador na Síria pelo menos motivos, segundo anunciou o ministro das Relações Exteriores, William Hague.

Edição EDIÇÃO 16961




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