O presidente Barack Obama afirmou ontem que profundas diferenças entre o Irã e os Estados Unidos persistirão, apesar do histórico acordo nuclear alcançado entre Teerã e as potências mundiais. O acordo foi anunciado na manhã de terça em Viena, na Áustria, e tem como objetivo evitar que o Irã obtenha uma arma nuclear e garantir que o programa nuclear seja usado apenas para fins pacíficos. Em troca, serão retiradas as sanções internacionais contra o país. "Mesmo com este acordo, continuaremos tendo profundas diferenças em relação ao Irã quanto a seu apoio ao terrorismo e às ações para desestabilizar partes do Oriente Médio", declarou Obama ontem em coletiva de imprensa na Casa Branca. "O Irã ainda representa desafios aos nossos interesses e valores", afirmou. Segundo Obama, os Estados Unidos esperam que o comportamento do Irã mude, mas ele "não aposta nisso". Mas Obama, que tenta vender o acordo fechado com o Irã a parlamentares céticos dos EUA e ao povo norte-americano, disse nesta quarta-feira que o acordo sobre o programa nuclear iraniano representa uma chance histórica de se buscar um mundo mais seguro. "Sem um acordo, o regime de sanções internacionais irá ruir, com pouca capacidade de reinstaurá-lo. Com esse acordo, nós temos a possibilidade de resolver pacificamente uma grande ameaça à segurança regional e internacional", disse. Obama afirmou que haveria um risco de mais confrontos no Oriente Médio sem um acordo e que outros países da região se sentiriam compelidos a buscar seus próprios programas nucleares "na região mais volátil do mundo". Obama declarou ainda que espera um debate firme no Congresso sobre o acordo, que ele disse cortar todos os caminhos para o Irã conseguir uma arma nuclear. O presidente americano também destacou que as preocupações de Israel em relação ao Irã são legítimas. Após o anúncio do acordo, o governo de Israel o chamou de "rendição histórica". "O Irã terá um caminho livre para desenvolver armas nucleares e muitas das restrições que o impediam serão suspensas.