O Haiti está prensado entre países produtores e consumidores de drogas e precisa de mais ajuda internacional para enfrentar o crescente narcotráfico em seu território, disse ontem o primeiro-ministro do país, Jacques-Edouard Alexis. Os relatórios norte-americanos indicam um aumento do narcotráfico na ilha Hispaniola (onde ficam Haiti e República Dominicana), e Alexis disse que seu país não tem recursos para combater o problema. "Quero destacar claramente que nosso país não é nem consumidor nem produtor de drogas, é vítima", disse o primeiro-ministro a jornalistas após discursar na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA). Ele afirmou ter pedido ajuda contra o narcotráfico durante reunião com a secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice. Segundo várias fontes em Washington, é cada vez mais comum que a cocaína da Colômbia e outros países sul-americanos passe por Venezuela e Haiti a caminho dos Estados Unidos, maior mercado consumidor do mundo. Mas o primeiro-ministro disse não ter condição dizer se a Venezuela está na origem da droga que passa pelo seu país, o mais miserável das Américas. O premiê disse que o Haiti recebeu bastante ajuda para o treinamento de policiais, equipamentos e inteligência, mas acrescentou que "os meios que temos à disposição são mínimos". O plano de desenvolvimento do presidente René Préval exige 4 bilhões de dólares nos próximos três anos, dos quais só 2 bilhões foram obtidos até agora, segundo Alexis.