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MUNDO
Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008, 20h:46

BRASILEIRO

Policiais que mataram Charles vão depor

O caso deve selar o destino do chefe da polícia Ian Blair, muito criticado na época e hoje sob pressão por alegações de racismo na polícia

Depois de três anos de a polícia britânica ter matado Jean Charles de Menezes, o inquérito sobre a morte do brasileiro foi reaberto ontem. Os dois policiais que mataram a tiros o eletricista, em 2005, em uma estação de metrô de Londres, depois de tê-lo confundido com um suposto homem-bomba, devem depor, pela primeira vez, em um inquérito público sobre o caso que começa na capital britânica. Jean Charles tinha 27 anos quando foi atingido na cabeça por sete tiros disparados pela polícia antiterrorista do Reino Unido, ao embarcar numa estação do metrô de Londres em 22 de julho de 2005. O brasileiro foi confundido com o suspeito de uma tentativa de atentado a bomba ocorrida nas ruas de Londres no dia anterior. As tensões estavam elevadas na capital britânica, porque duas semanas antes quatro terroristas suicidas haviam atacado o sistema de trânsito da cidade e matado 52 pessoas. O inquérito, que pode demorar três meses, deverá ser o mais detalhado exame público dos acontecimentos que levaram à morte de Jean Charles. Dezenas de testemunhas são esperadas para prestar depoimento numa corte improvisada no Estádio Oval de Cricket de Londres, incluindo os outros passageiros do metrô que presenciaram o incidente. A legislação britânica exige a realização de um inquérito quando alguém morre inesperadamente, violentamente ou de causa desconhecida. Ninguém foi condenado pela morte de Jean Charles: em 2006 os promotores decidiram que não buscariam a condenação criminal dos policiais envolvidos e a Comissão Independente de Denúncias contra a Polícia disse que eles não enfrentariam medidas disciplinares por causa da ação. No ano passado, uma corte britânica condenou a força policial por ter colocado em perigo a segurança pública ao fazer os disparos. A mãe e o irmão de Jean Charles devem ser ouvidos em algumas partes do inquérito. "A família está muito feliz, porque foi uma longa batalha para chegar a este ponto", disse Estelle du Boulay, porta-voz da família. "Foi uma longa espera." INVESTIGAÇÕES No total, já são quatro as investigações sobre a morte do brasileiro, que resultou ainda em um julgamento criminal. A primeira examinou as circunstâncias em que o brasileiro foi baleado e resultou em processo contra a polícia metropolitana, que foi considerada, em 2007, culpada de violar normas de procedimento, colocando a segurança pública em risco no episódio que resultou na morte do eletricista brasileiro, mas não pela sua morte.

Edição EDIÇÃO 16968




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