Pelo menos 80 pessoas são mortas em ofensiva talibã
Entre 80 e 100 pessoas foram mortas, 12 por decapitação, numa ofensiva talibã no Leste do Afeganistão, informou ontem o vice-governador da província de Ghazni, Mohammad Ali Ahmadi. Os insurgentes decapitaram 12 civis em quatro aldeias. A ofensiva conta com intensos combates entre centenas de talibãs e as forças de segurança. A situação é muito crítica no distrito de Ajrestan. Fomos informados pelo governo central de que foram enviados reforços, acrescentou ele. O vice-governador informou que Ajrestan está prestes a cair sob controle dos talibãs, que 60 a 70 casas foram incendiadas e que a comunicação com as forças de segurança no local é difícil. A instabilidade no Afeganistão agravou-se com a crise política desencadeada pela contestação dos resultados das eleições presidenciais de junho. O impasse terminou no domingo com a assinatura de um acordo para a formação de um governo de unidade entre os dois rivais, Asraf Ghani, que assume a Presidência, e Abdullah Abdullah. Nos últimos meses, ofensivas dos talibãs em várias províncias desafiaram a preparação das forças de segurança afegãs formada por 350 mil homens, treinados desde 2001 pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no país. As operações de combate da Otan vão terminar no final deste ano, mantendo em território afegão aproximadamente 12 mil tropas estrangeiras para missão de apoio e treino. ELEIÇÕES O economista Ashraf Ghani foi o vencedor do segundo turno das eleições presidenciais no país, em junho, e que terminou em um impasse político. Ghani e Abdullah Abdullah eram os dois adversários que concorriam à sucessão do presidente Hamid Karzai. Após o segundo turno, Abdullah denunciou fraudes massivas, o que provocou um processo de revisão eleitoral. A tensão subiu rapidamente entre os partidários dos dois candidatos. Ghani e Abdullah assinaram um acordo de governo de união nacional, em uma cerimônia em Cabul. O acordo dá a Presidência a Ghani e Abdullah deverá ser nomeado para um novo cargo, o de "chefe executivo", função semelhante à de primeiro-ministro. As Nações Unidas pressionaram para a constituição de um "governo de união nacional" a fim de evitar o regresso das divisões étnicas da guerra civil do final de 1990.