Após a retirada de todas as tropas de combate, um contingente de 50.000 soldados deve permanecer no país como uma força de transição, treinamento e apoio
Os Estados Unidos afirmaram que o ataque perpetrado contra um centro de recrutamento do Exército iraquiano em Bagdá, deixando ao menos 48 mortos e 121 feridos a apenas duas semanas da retirada das tropas de combate dos EUA, não deve afetar o processo de transição de poder no Iraque. O balanço com o número de vítimas pode aumentar ainda mais e as agências Reuters e Associated Press já falam em ao menos 57 e 61 mortos, respectivamente. A bordo do avião presidencial Air Force One, o vice-secretário de imprensa da Casa Branca Bill Burton disse que a ação insurgente - que teve como alvo justamente as forças iraquianas que deverão garantir a segurança local após a saída dos EUA - afirmou que o ataque não altera os planos dos EUA para o país. Tanto a retirada das tropas de combate no dia 31 de agosto como a transição à democracia - apesar de o país ainda não ter instalado um novo governo, mais de quatro meses depois das eleições de março - deverão ser mantidas. "Os dois processos correm firmemente nos trilhos", disse Burton. Após a retirada de todas as tropas de combate, um contingente de 50.000 soldados deve permanecer no país como uma força de transição, responsável pelo treinamento e apoio ao Exército iraquiano. Em reação ao atentado, o vice-secretário declarou que Washington observa com atenção a situação do Iraque e que o país já fez avanços significativos. "Obviamente, ainda há pessoas que querem desvirtuar os progressos que o povo iraquiano fez em direção à democracia. Mas eles [os iraquianos] estão firmemente nos trilhos. E nós estamos confiantes ao chegar ao fim de nossa missão de combate", acrescentou. O impasse político que impede a formação de um novo governo no Iraque mais de quatro meses após as eleições de março tiveram na segunda-feira um novo episódio. O Bloco Iraquiano do ex-premiê laico Iyad Allawi, o partido com mais votos nas eleições legislativas de 7 de março, interrompeu as negociações com a Aliança do Estado de Direito do primeiro-ministro Nuri al Maliki, como protesto por declarações feitas pelo chefe de Estado à imprensa. Ainda na segunda-feira o presidente americano Barack Obama pediu que Al Maliki junte-se à coalizão de oposição para agilizar a formação de um novo governo. Mesmo assim, a posição da Casa Branca tem sido a de defender os avanços e o progresso em Bagdá.