O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, planeja dizer a árabes e israelenses para que parem de afirmar uma coisa em público e outra em conversas reservadas, quando ele discursar ao mundo muçulmano no Cairo hoje. Numa entrevista concedida ao jornal The New York Times publicada ontem, Obama sugeriu que as partes do conflito permanecem numa constante "dança do Kabuki", a qual ele espera romper ao lhes conceder um espelho e oferecer ajuda norte-americana enquanto os dois lados negociam a paz. Um trecho essencial de sua mensagem, afirmou Obama, será: "Parem de afirmar uma coisa a portas fechadas e outra coisa publicamente". Muitos israelenses reconhecem a necessidade de fazer escolhas difíceis sobre os assentamentos judaicos, muitos palestinos reconhecem a necessidade de frear o incitamento contra Israel e de serem mais construtivos, e muitos Estados árabes consideram a ameaça do Irã (caso o país se transforme em potência nuclear) maior do que qualquer ameaça vinda de Israel - mas ninguém diz isso publicamente, afirmou ele. No poder há quatro meses, Obama embarcou para o Oriente Médio na terça-feira com a esperança de retomar os laços com o mundo islâmico em um discurso que, segundo assessores, abordará questões difíceis, como o impasse no processo de paz entre árabes e israelenses promovido pelos EUA.