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MUNDO
Quarta-feira, 20 de Junho de 2012, 21h:47

CASO CACHOEIRA

Novo juiz assume e diz que vai acelera processo

A procuradora Léa Batista de Oliveira, umas das responsáveis pela operação, recebeu ameaças

DÉBORA ZAMPIER
Da Agência Brasil - Brasília
O juiz Alderico Rocha Santos, que assumiu o processo contra Carlos Cachoeira e outros réus da Operação Monte Carlo, em Goiás, informou ontem que irá acelerar a tramitação da ação penal durante o mês de julho. Como não deixou o posto na 5ª Vara Federal em Goiás, ele explicou que tem outros compromissos no segundo semestre, além de férias, já agendados. A procuradora Léa Batista de Oliveira, umas das responsáveis pela Operação Monte Carlo, recebeu ameaças por e-mail após o final das investigações, assim como o juiz Paulo Augusto Moreira Lima, que atuou no caso. INSTRUÇÃO “Este juiz, salvo no mês de julho, não poderá instruir o feito nos meses subsequentes em razão do preenchimento da pauta de audiências nos processos de seus ofícios e de férias regulamentares”, explicou Santos, em nota divulgada pela Justiça Federal em Goiás, ontem. Na fase da instrução, o juiz avalia as provas colhidas pela polícia e ouve depoimentos de testeminhas para formar convicção se a denúncia do Ministério Público é procedente. Depois, os réus e o Ministério Público fazem as considerações finais, fase seguida pelo voto do juiz. Alderico Santos informou que a concentração de esforços para concluir a instrução da ação penal ainda no mês de julho não implicará perda de garantias a todos os direitos dos acusados, “já que haverá tempo suficiente para o estudo do processo”. APURAÇÃO O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse ontem que o Ministério Público está se mobilizando para apurar as supostas ameaças à procuradora Léa Batista, que atua na Operação Monte Carlo. Ela foi uma das responsáveis pela denúncia que levou à prisão o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. “Estamos movimentando toda a nossa estrutura para que ela tenha o apoio necessário e, se for o caso, pedir o apoio da Polícia Federal”, disse Gurgel, ao se pronunciar pela primeira vez sobre o caso durante intervalo da sessão do Supremo Tribunal Federal. O procurador disse que irá entrar em contato com a procuradora assim que deixar a sessão. Segundo Gurgel, que também preside o Conselho Nacional do Ministério Público, a instituição fará uma avaliação sobre os reais riscos pelos quais passam os procuradores para saber se há necessidade de reforço na segurança ou se a estrutura existente é suficiente. “O Ministério Público não pode correr o risco de ser surpreendido em razão de alguma ameaça”. Léa e Daniel Resende são os representantes do Ministério Público na Operação Monte Carlo, em Goiás, enquanto o procurador Carlos Alberto Vilhena gerencia os desdobramentos do caso no Tribunal Regional Federal da Primeira Região, em Brasília. Gurgel disse que não tem notícia de que os outros procuradores do caso tenham sofrido ameaças. Segundo nota divulgada anteontem pela Associação Nacional dos Procuradores da República, Léa recebeu um e-mail anônimo na semana passada com referências à Operação Monte Carlo. A mensagem dizia que a atuação da procuradora foi muito dura no caso, incriminando pessoas que não tinham culpa, enquanto a família de Cachoeira continuava explorando jogos ilegais em Goiás mesmo depois da prisão dele.

Edição EDIÇÃO 16960




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