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MUNDO
Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010, 18h:53

ASSENTAMENTOS

Netanyahu e Abbas tentam romper impasse

Washington definiu como meta o prazo de um ano para se chegar a um acordo de paz para pôr fim ao conflito, que já dura décadas, e criar um Estado palestino

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, recebeu o presidente palestino, Mahmoud Abbas, em sua residência ontem para discutir um acordo de paz, mas não deu sinais de avanços para o rompimento de um impasse em torno das construções nos assentamentos judaicos. A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, foi presença importante no encontro com os dois líderes, que se cumprimentaram com um aperto de mãos no início da reunião. O encontro se seguiu a uma rodada de negociações no Egito no dia anterior. Indagado por repórteres se foram feitos avanços, Netanyahu respondeu: "Estamos trabalhando sobre isso. É muito trabalho. E estou muito satisfeito pela oportunidade de receber o presidente Abbas e a secretária Clinton aqui para buscar a paz, e acho que precisamos continuar com o trabalho". Esta foi a primeira visita de Abbas à residência oficial do primeiro-ministro israelense em Jerusalém desde que o direitista Netanyahu chegou ao poder, 18 meses atrás. Abbas já havia participado de conversações no local com o predecessor de Netanyahu, Ehud Olmert. "Hoje retornei a esta casa após um longo período de ausência para levar adiante as conversações e negociações, com esperança de chegarmos a uma paz eterna em toda a região, e especialmente à paz entre o povo israelense e o povo palestino", escreveu Abbas no livro de visitantes. Washington definiu como meta o prazo de um ano para se chegar a um acordo de paz para pôr fim ao conflito, que já dura décadas, e criar um Estado palestino. Mas a moratória de 10 meses imposta por Israel à construção de novas moradias em assentamentos na Cisjordânia, decretada por Netanyahu sob pressão dos EUA, termina em 30 de setembro, e os palestinos já disseram que vão abandonar as negociações se as obras forem retomadas. Os palestinos dizem que os assentamentos, erguidos sobre territórios que desejam para seu Estado, lhes negam a possibilidade de um país viável e contíguo. "A questão principal é: haverá construção nos assentamentos a partir de 30 de setembro ou não? Vamos negociar a cada cinco minutos de agora até 30 de setembro. Se eles continuarem com a construção, vamos embora. Se eles não continuarem, vamos permanecer", disse à Reuters um representante palestino. Mais cedo, Clinton endossou Abbas e Netanyahu calorosamente, dizendo a repórteres: "Esta é a hora e esses são os líderes." Dizendo que os dois líderes estão "discutindo concretamente" e tratando das questões principais do conflito, Clinton não deu nenhum indicativo sobre se eles estão mais perto de resolver a disputa sobre os assentamentos que põe em risco as negociações que tiveram início em Washington em 2 de setembro, em meio a pessimismo público profundo.

Edição EDIÇÃO 16969




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