MUNDO
Quinta-feira, 17 de Novembro de 2011, 20h:48
A
A
ITÁLIA
Monti promete rigor e crescimento
O novo premiê italiano, Mario Monti, prometeu ontem, em seu primeiro discurso no Senado, que aplicará um programa baseado em "rigor, crescimento e equidade" e advertiu que "o futuro do euro depende também do que a Itália fizer". Segundo ele, a "Europa enfrenta seu momento mais difícil desde a 2ª Guerra Mundial", ecoando as declarações da chanceler alemã, Angela Merkel, feitas mais cedo nesta semana. A economia dos 17 países que compartilham o euro e do conjunto da UE (União Europeia) cresceu apenas 0,2% no terceiro trimestre com relação ao trimestre anterior e 1,4% comparada com o mesmo período de 2010, conforme mostrou a antecipação do PIB (Produto Interno Bruto) da região divulgada pelo Eurostat, o escritório de estatísticas comunitário. Monti deixou claro que o principal problema da Itália é sua falta de capacidade para demonstrar seu potencial de crescimento aos mercados, o que gera grande desconfiança em relação ao país. "A ausência de crescimento anulou os sacrifícios" realizados até agora para reduzir o deficit, disse. O premiê afirmou que seu governo é um "esforço nacional" para fazer frente a uma situação de extrema emergência". A Itália assumiu o compromisso de equilibrar as contas públicas até 2013, sendo que o deficit público do país é de 120% do PIB. "Não consideramos as exigências da UE (União Europeia) como algo imposto desde o exterior. Não estamos em frentes diferentes. A Europa somos nós", disse. "Devemos convencer os demais de que começamos a reduzir a relação entre dívida e PIB, dívida que chegou ao nível de 20 anos atrás". O primeiro-ministro declarou que seu plano de governo prevê "sacrifícios justos" e "inevitáveis", ao apresentar ao Senado as diretrizes para sua gestão. Ele advertiu que, se seu governo falhar e "não alcançar as reformas necessárias, estaremos todos submetidos a condições muito mais duras". Monti criticou elementos da política italiana, como seus "privilégios" e "altos custos", além da isenção fiscal concedida para a aquisição do primeiro imóvel, que classificou como uma "anomalia italiana". O premiê caracterizou o plano de sua gestão como o de um "governo de empenho nacional", o que, segundo ele, "significa assumir para si a tarefa de fortalecer as relações civis e institucionais com base no Estado".