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MUNDO
Quinta-feira, 24 de Maio de 2012, 20h:57

EGITO/ELEIÇÕES

Longas filas marcam 2º dia de votação

Se o vencedor não for definido, os dois candidatos que obtiverem o maior número de votos irão disputar um segundo turno em junho

Longas filas marcaram ontem o segundo dia de votação dos egípcios na primeira eleição presidencial livre, 15 meses após a derrubada de Hosni Mubarak no levante da Primavera Árabe. A BBC Brasil informou que a votação no primeiro dia foi marcada pelos eleitores animados e pela falta de incidentes. Entre os candidatos estão alguns representantes de movimentos islâmicos e também ex-ministros da época do governo de Mubarak. O resultado do pleito deverá sair na próxima terça (29). Caso nenhum candidato vença por mais de 50% dos votos válidos, será disputado um segundo turno, em 16 e 17 de junho. Desde a revolução que derrubou Hosni Mubarak em fevereiro de 2011, as prioridades dos egípcios ofuscaram os sonhos de liberdade e deram lugar ao realismo da luta diária para suprir suas necessidades básicas. Estas eleições, cujo primeiro turno iniciou na quarta-feira e terminou ontem, simbolizam a ânsia por mudanças. A economia egípcia anda muito prejudicada, principalmente pela queda do turismo e por índices de insegurança e criminalidade nunca vistos em um país onde antes a onipresente polícia era temida. São alguns dos problemas que guiam o voto dos egípcios. "Precisamos de um presidente que restaure a segurança nacional e acabe com o caos surgido neste último ano", afirmou o engenheiro Mohammed Mustafa, de 27 anos. Ele disse que votará em Ahmed Shafiq, último primeiro-ministro de Mubarak, que viu sua popularidade aumentar nas últimas horas. Outro nome bem cotado é o do ex-secretário-geral da Liga Árabe e ex-ministro das Relações Exteriores Amr Moussa, que, embora tenha buscado se livrar do rótulo de "fulul" (remanescente do regime de Mubarak), ainda é assim caracterizado tanto por seus seguidores como por seus detratores. Frente aos que apoiam estes candidatos laicos, uma grande proporção dos eleitores se mostrou favorável a Mohammed Mursi, o candidato da Irmandade Muçulmana, cujo programa de "renascimento" calou entre amplos setores. Alguns egípcios temem que este grupo conservador, que já controla metade das cadeiras do Parlamento, obtenha também a Presidência e conduza o país a uma espécie de nova ditadura. Mas, para outros, uma boa sintonia entre o Legislativo e a chefia de Estado ajudará o Egito a prosperar. O Partido Liberdade e Justiça (PLJ), braço político da Irmandade Muçulmana, está muito seguro do triunfo de seu candidato e de sua presença no segundo turno do pleito, tal como seus membros anunciaram em entrevista coletiva na sede do grupo, no Cairo.

Edição EDIÇÃO 16959




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