A justiça grega ordenou ontem que dois policiais sejam presos enquanto aguardam julgamento pela morte de um jovem. Um oficial é acusado de assassinar Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos. O policial Epaminondas Korkoneas declarou perante a justiça que não atirou intencionalmente no jovem, e reiterou que o rapaz foi atingido por acaso após um disparo feito para o ar. Em seu depoimento, o agente disse ainda que é pai de três filhos e que nunca apontaria a arma contra um adolescente. Korkoneas, apelidado de "Rambo" por seus colegas da polícia, alegou que a única versão verídica é a que diz que uma das balas disparadas para o ar, como forma de advertência, acabou atingindo mortalmente o adolescente. Além disso, o policial assegurou que o rapaz tinha um histórico de conduta rebelde e que havia sido expulso de uma escola. A afirmação foi desmentida pela direção do colégio, que destacou em carta à imprensa local a "excelente relação do jovem com seus companheiros" e denunciou que os rumores sobre seu comportamento "fogem da verdade e insultam sua memória." A morte de Grigoropulos, no último sábado, desencadeou uma das piores crises na Grécia com uma onda de distúrbios em Atenas e outras cidades em protesto contra a violência policial e a situação econômica. Ainda ontem, novos confrontos aconteceram em Atenas nas cercanias do Parlamento, quando cerca de 200 jovens começaram a jogar pedras e outros objetos contra as forças da ordem.