MUNDO
Sábado, 12 de Junho de 2010, 15h:49
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ENERGIA NUCLEAR
Irã restringirá colaboração com a AIEA
A medida é uma resposta à decisão da ONU de aprovar uma nova bateria de sanções contra o regime iraniano, explicou ontem um diplomata, iraniano
O Irã vai restringir sua cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aos limites impostos pelo Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNPN) e prosseguirá com o enriquecimento de urânio, indicou o embaixador iraniano perante a Agência, Ali-Asghar Soltanieh. A medida é uma resposta à decisão da ONU de aprovar uma nova bateria de sanções contra o regime iraniano, explicou o diplomata, citado ontem pela imprensa local. SERMÃO O aiatolá iraniano Ahmad Khatami defendeu em um sermão em Teerã que o mundo deveria buscar uma organização independente e um conselho de segurança que não fossem dominados pelas potências imperiais, segundo notícia divulgada pela agência iraniana Irna. O clérigo ultraconservador, aliado incondicional do presidente Mahmoud Ahmadinejad, atacou os Estados Unidos e condenou a quarta rodada de sanções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) contra o Irã, aprovada na última quarta-feira. As sanções foram impostas devido à recusa do Irã em suspender seu programa nuclear, que o Ocidente suspeita que seja voltado para a fabricação de armas atômicas. "Quem não sabe sobre os recorrentes alertas dos EUA ao presidente do Brasil e ao primeiro-ministro da Turquia por entrarem em cena. O primeiro Estado a arremessar obstáculos no caminho da declaração tripartite de Teerã foi os EUA. A desgraça não é algo que possa ser facilmente camuflado", disse ele, segundo a Irna. O aiatolá Khatami defendeu que cinco pontos devem ser considerados. Primeiro, o Irã nos últimos 31 anos mostrou que mantém sua palavra e não vai deixar a cena por causa de resoluções "que não valem nada". Segundo, que as sanções não são novas para o Irã, e que o país vai usá-las como oportunidades --elas podem incentivar a desenvolver jovens talentos. Em terceiro lugar, o aiatolá afirmou que os EUA enfrentam uma ampla crise interna e externa, e que o menor movimento vai adicionar ainda uma crise de desgraça. Khatami acrescentou, em quarto lugar, que o fato de Brasil e Turquia terem votado contra as sanções, e de o Líbano ter se abstido, mostram a falta de consenso no Conselho de Segurança da ONU. "Isso marca uma grande derrota para os EUA." O quinto ponto, segundo a agência, foi relembrar a histórica frase do aiatolá Khomeini, que chamava os EUA de "grande satã", que Khatami disse ter sido mais uma vez confirmada.