As autoridades iranianas vão responder ao recente relatório da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) no qual foi apontado que o Irã trabalhou para desenvolver armas nucleares sem que fossem apresentadas provas de que decidiu fabricá-las, informou ontem a emissora de televisão pública IRIB. "Vamos escrever uma carta de análise com respostas argumentadas ao último relatório do secretário-geral da AIEA", disse o ministro das Relações Exteriores iraniano, Ali Akbar Salehi, que não detalhou quando será enviado o documento. A carta será dirigida aos representantes dos países-membros na AIEA e às instituições internacionais envolvidas no caso. "[O secretário-geral da AIEA] Yukiya Amano atuou de forma injusta e sem medir o que dizia", afirmou Salehi, que reiterou que o relatório foi feito sob "pressões de países ocidentais" e "solapou a credibilidade do organismo". Por essa razão, segundo o ministro iraniano, "ninguém acreditou nele". De acordo com o ministro, o Irã está em contato com a AIEA "para que a situação não piore, já que trata-se de uma instituição internacional importante, que deve seguir cumprindo suas responsabilidades". As atividades nucleares do Irã prosseguem, segundo Salehi, que repetiu que o "programa nuclear pacífico iraniano foi desenvolvido ao longo dos últimos dez anos sem parar". Enquanto diversos países, com os Estados Unidos à frente, acreditam que o programa nuclear iraniano tem fins militares, as autoridades de Teerã reiteraram que seus objetivos são exclusivamente civis, essencial para geração de energia e usos médicos. O Irã deixou claro que não pensa em abandonar seu programa nuclear e lembrou que o enriquecimento de urânio é autorizado pelo Tratado de Não-Proliferação Nuclear. "O Irã atuará com dignidade, sabedoria e de acordo com seus interesses", disse Salehi. O relatório da AIEA sobre o Irã, publicado na terça-feira da semana passada, criou mesmo antes de sua divulgação uma tempestade internacional na qual personalidades dos EUA, Israel e Reino Unido apontaram para a possibilidade de um ataque a instalações militares iranianas. Alguns países da União Europeia propuseram que sejam aplicadas mais sanções para frear o programa nuclear iraniano, enquanto a Rússia e a China se opuseram às medidas