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MUNDO
Terça-feira, 07 de Dezembro de 2010, 20h:54

DIPLOMACIA

Irã espera que Dilma não abandone o país

A opção da diplomacia do governo de Teerã é a de minimizar as declarações e revelações, mantendo relação de proximidade e um canal aberto com Brasília

JAMIL CHADE
Da Agência Estado - Genebra
Cada vez mais isolado, o governo do Irã não economizará esforços para manter o governo de Dilma Rousseff em sua lista de "parceiros" e põe o Brasil como uma de suas prioridades na ofensiva para não perder aliados. Pressionado por sanções econômicas e revelações de que seus vizinhos apoiariam um ataque contra Teerã, o Irã espera que a Presidência de Dilma não abandone o país e a política externa brasileira mantenha seu caráter de diálogo. "Nossa relação não era com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nossa relação tem um cunho estratégico com o Estado brasileiro", afirmou ao Estado o diretor do Departamento de Política do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Mohamed Najafi. Indagado se a relação sofreria mudanças com a chegada do novo governo, Najafi apenas torceu para que isso não ocorra. "Vemos no Brasil um parceiro de longo prazo. O Brasil sabe de nosso potencial e temos a mesma percepção sobre o Brasil", disse. No fim de semana, Dilma declarou em entrevista ao jornal americano The Washington Post que considerou um erro a decisão do Itamaraty de se abster em votação na ONU da resolução que censurava o regime iraniano por violações de direitos humanos, pedia o fim dos apedrejamentos, da perseguição a minorias e de ataques a jornalistas. A declaração de Dilma foi vista como um primeiro sinal de que a política externa brasileira poderia sofrer certas modificações. Há apenas uma semana, o chanceler Celso Amorim havia defendido a opção de abstenção do Brasil, alegando que ele não votava "nem para agradar à imprensa nem a certas ONGs". Amorim não será mantido como chanceler. Seu provável sucessor, Antonio Patriota, em telegrama confidencial revelado pelo site WikiLeaks, manifestou desconfiança em relação a Teerã. Segundo ele, nunca se sabe quão sinceros são os iranianos. Mas a opção da diplomacia de Teerã é a de minimizar as declarações e revelações, mantendo relação de proximidade e um canal aberto com Brasília. A política de evitar um confronto aberto com o Brasil tem motivos explícitos. REUNIÃO O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou ontem que as negociações sobre o programa nuclear de seu país serão bem-sucedidas se as sanções impostas pelas potências mundiais forem suspensas. "Se você chegar às negociações cancelando todas as coisas más e decisões erradas que foram adotadas... suspender resoluções, sanções e algumas restrições que foram criadas, então os diálogos serão definitivamente frutíferos", disse Ahmadinejad à TV estatal iraniana. A declaração de Ahmadinejad ocorreu no segundo dia de negociações entre seu governo e as principais potências mundiais, em Genebra (Suíça), a respeito do programa nuclear iraniano.

Edição EDIÇÃO 16960




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