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MUNDO
Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010, 08h:56

BRASIL

Hillary deve vir em busca de uma agenda construtiva

DENISE CHRISPIM MARIN
Da Agência Estado – Brasília
A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, deve desembarcar em Brasília no próximo dia 3 com a missão de abrandar divergências acumuladas com o governo brasileiro na esfera internacional. A adoção de uma agenda mais construtiva entre Brasil e Estados Unidos estará assentada no lançamento formal da negociação de um acordo de cooperação econômica e na assinatura de quatro memorandos de entendimento na área política, entre os quais o que prevê ações conjuntas no Haiti e em Moçambique e a promoção da igualdade de gêneros. Acertada preliminarmente, a data da visita ainda não foi anunciada oficialmente pelo Itamaraty e pelo Departamento de Estado e pode ser alterada. Ontem, em São Paulo, ao participar de um evento na Fiesp, o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, não confirmou a visita de Hillary Clinton, mas deixou claro que as possibilidades são grandes. "Ela tem muito interesse em vir ao Brasil, mas não posso afirmar nem confirmar a informação de que a secretária vem", limitou-se a dizer. Porém, uma vez confirmada, a vinda de Hillary Clinton sinalizará para uma possível visita ao Brasil do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, neste semestre. Esse compromisso ainda é mais incerto e depende dos próprios passos do governo brasileiro no conflito entre o Irã e as potências nucleares ocidentais para ser confirmado pela Casa Branca. Em Brasília, a secretária de Estado terá a missão de desbastar esse campo e de traçar uma nova etapa na cooperação bilateral, adormecida nos últimos anos. O acordo de cooperação econômica terá o objetivo de impulsionar e facilitar o comércio, por meio de redução das barreiras não-tarifárias e da burocracia nas trocas de bens e serviços, e de estimular investimentos, seja com base em projetos conjuntos como em um possível acordo de eliminação da bitributação. Essa cooperação estará longe de um acordo de livre comércio, impossibilitado pela participação do Brasil no Mercosul e pela reserva do governo brasileiro à liberalização de suas trocas com potências econômicas. A negociação entre o Itamaraty e a Representação dos Estados Unidos para o Comércio (USTR, na sigla em inglês), a rigor, já começou. (Colaborou Anne Warth)

Edição EDIÇÃO 16962




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