MUNDO
Terça-feira, 05 de Abril de 2011, 20h:24
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LÍBIA
General diz que Otan permitiu mortes
As acusações do líder rebelde aconteceram no mesmo dia em que a Otan afirmou já ter destruído 30% da capacidade militar do regime do ditador Muammar Khadafi
O chefe militar dos rebeldes na Líbia, o general Abdel Fatah Yunes, acusou ontem a Organização do Tratado do Atlântico Norte OTAN - de "permitir a morte de moradores de Misrata", cidade a leste de Trípoli submetida há mais de um mês a bombardeios das forças leais ao ditador Muammar Khadafi. A cidade, no oeste do país, tem sido mantida sob um forte cerco das tropas de Khadafi há semanas, sem acesso à energia elétrica, água e serviços de telecomunicações. As acusações de Yunes chegam no mesmo dia em que a Otan, que chefia as operações militares na Líbia, afirmou já ter destruído 30% da capacidade militar do regime do ditador Muammar Khadafi nos 17 dias de ataques aéreos sobre o país. O valor inclui o resultado dos ataques realizados tanto pela coalizão liderada pelo Reino Unido, França e Estados Unidos, que iniciou a ação, quanto os desenvolvidos pela própria aliança militar desde que esta assumiu o comando da missão. "A análise é que eliminamos 30% da capacidade militar de Khadafi", disse em entrevista coletiva o general Mark van Uhm, chefe de operações do quartel-general da Otan para a Europa. O número foi divulgado ontem aos embaixadores da Otan pelo tenente-general canadense Charles Bouchard, que dirige as operações na Líbia, explicou Van Uhm. Desde que assumiu o controle total das operações, a aliança militar já executou um total de 851 saídas, 334 das quais ofensivas, embora não tenha efetuado disparos em todas elas. Vários desses ataques ocorreram na região de Misrata, no oeste da Líbia, e em Brega, onde tropas dos rebeldes e pró-Khadafi mantêm intensos conflitos nas últimas duas semanas. Segundo Van Uhm, o "ritmo" das ações aliadas é o mesmo do desenvolvido pela coalizão no início das operações, embora a situação tenha "evoluído" e os "objetivos mudaram". Uma dessas variações, relatou, é a mudança de estratégia por parte de Khadafi, que agora utiliza principalmente veículos leves para levar suas tropas às áreas de combate, escondendo os tanques e outros equipamentos pesados em áreas urbanas e utilizando escudos humanos para protegê-los dos ataques da Otan. BREGA Um dia depois de diversos relatos de negociações de acordo entre o Ocidente e o regime líbio, forças dos dois lados retomaram a batalha voraz pelo controle de Brega, importante cidade petrolífera da Líbia. No sexto dia de batalhas, os rebeldes, que querem a renúncia imediata do ditador Muammar Khadafi, dizem ter cercado Brega e apostam na retomada breve da localidade. O avanço dos rebeldes foi acompanhado de um bombardeio das forças da coalizão internacional, liderada pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).