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MUNDO
Quarta-feira, 22 de Julho de 2015, 19h:45

JEAN CHARLES

Familiares prestam homenagens em estação

Ontem completou 10 anos que o brasileiro foi morto, em Londres, numa estação, onde ele foi confundido com terrorista e executado por um policial

A família de Jean Charles de Menezes relembrou ontem os dez anos da morte do brasileiro em Londres, com homenagens no local onde ele foi morto por um policial depois de ser confundido com um terrorista. Cartazes e flores foram depositados na estação de metrô Stockwell por parentes e amigos do eletricista, que lutam para que os responsáveis pelo incidente sejam punidos. Mas enquanto o caso ainda parece longe de um desfecho, as lembranças do jovem que morreu aos 27 anos ainda estão muitos vivas. “Eu nunca pensei que me veria enterrando meu filho porque isso vai contra a ordem natural da vida. Isso ainda me causa muita dor”, disse a mãe de Jean Charles, Maria de Menezes. “Me senti arrasada. Queria me destruir. Perdi minha alegria de viver.” Nos últimos dez anos, a família do brasileiro fez uma intensa campanha para julgar os autores da tragédia, mas sem sucesso. A família do brasileiro questiona o fato de as autoridades jamais terem levado os responsáveis pelo incidente à Justiça criminal do país. E acusa o Reino Unido de desrespeitar o Artigo 2º da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, que determina investigações apropriadas de mortes ocorridas nos 28 países que compõem a União Europeia. Em 22 de julho de 2005, um policial matou o eletricista de 27 anos com sete tiros na cabeça depois de uma das cenas de perseguição mais desastrosas da Scotland Yard dos últimos tempos. Sob a pressão dos atentados terroristas que mataram 56 pessoas em julho de 2005, os policiais atiraram e mataram, por engano, o brasileiro, que confundiram com um dos suspeitos que vinham monitorando. O caso, que causou grande comoção e colocou em cheque o profissionalismo da polícia metropolitana, havia sido considerado encerrado pelo governo britânico, mas no mês passado foi apresentado à Câmara Alta da Corte Europeia de Direitos Humanos. À época, os britânicos reconheceram o erro da operação, abriram investigações internas e independentes e indenizaram a família de Jean Charles em 175 mil libras (R$ 865 mil, no câmbio atual). Mas o Ministério Público optou por não levar o caso à Justiça criminal por considerar que “não havia provas irrefutáveis” da culpa dos agentes. A justificativa provocou revolta na família de Jean Charles, que não desistiu do processo. O inquérito público que investigou as circunstâncias concluiu que a Scotland Yard não poderia ser responsabilizada criminalmente pelo incidente.

Edição EDIÇÃO 16965




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