MUNDO
Quinta-feira, 08 de Novembro de 2007, 18h:21
A
A
JEAN CHARLES
Família quer o caso na Corte Européia
A família disse que pretende obter respostas para perguntas como o porquê de sua morte e por que Jean levou sete tiros
A família de Jean Charles de Menezes disse ontem que pretende levar o caso da morte do brasileiro para a Corte Européia de Direitos Humanos. Vivian Figueiredo, prima do brasileiro, disse que espera que a Corte Européia possa apontar os culpados pela morte de Jean Charles, ocorrida no metrô de Londres, em julho de 2005. Segundo o relatório da IPCC, o julgamento em que polícia londrina foi condenada na semana passada "não marca o fim do processo legal sobre o incidente" e defende a reabertura de um inquérito na Corte do Legista, a Coroner's Court. A Comissão acredita que a investigação poderá definir se alguma alta autoridade da polícia "deve enfrentar um processo disciplinar por causa do caso". Até agora, nenhum dos policiais envolvidos no caso, em nenhum escalão, foi apontado ou condenado como individualmente responsável pelas falhas que levaram à morte do brasileiro. Ainda para a família de Jean Charles, a posição do chefe da polícia de Londres, Ian Blair, ficou "insustentável". Segundo o documento divulgado ontem, a retomada do inquérito na Coroner's Court pode fornecer "uma oportunidade importante para que a família de Menezes tenha suas próprias perguntas respondidas sobre as circunstâncias da sua morte". A família disse que pretende obter respostas para perguntas como o porquê de sua morte, por que Jean levou sete tiros e por que a política de atirar para matar foi aplicada. A IPCC afirma ainda que, com inquérito, "no tempo apropriado", pode ser definido se alguma alta autoridade da polícia "deve enfrentar um processo disciplinar por causa do caso". O inquérito defendido pela IPCC e a família de Jean Charles foi aberto automaticamente dias após a morte do eletricista, como ocorre em todos os casos de morte violenta, mas acabou sendo suspenso para aguardar o resultado do julgamento da polícia metropolitana no mês passado. Segundo advogados da família, ele deve ser retomado em dezembro. O documento divulgado ontem foi finalizado seis meses após a morte de Jean Charles, que aconteceu em 22 de julho de 2005. Ele não foi divulgado antes porque estava sendo usado como base no julgamento encerrado na semana passada. Por causa disso, os autores do documento ressaltam que boa parte do seu conteúdo acabou sendo conhecido ao longo do processo. No entanto, o documento traz novos detalhes sobre a operação e sobre como a polícia agiu após o incidente. Nick Hardwick, diretor da IPCC, divulgou um comunicado para a imprensa junto com o relatório no qual afirma que "erros muito graves foram cometidos (durante a operação), erros que poderiam e deveriam ter sido evitados". Porém, ele frisou que é preciso "tomar o máximo de cuidado antes de apontar algum culpado". De acordo com a investigação, os policiais puderam conversar e definir antecipadamente a descrição que fariam sobre o incidente. Eles apenas fizeram seus relatórios oficiais sobre o caso 36 horas após o ocorrido e em vários casos chegaram a usar inclusive expressões idênticas para descrever partes das circunstâncias. O relatório questiona o contraste entre isso e o fato de que as testemunhas civis deram depoimentos logo após o ocorrido, sem poder discutir entre elas e "quando ainda estavam traumatizadas pelo que viram".