MUNDO
Quinta-feira, 17 de Novembro de 2011, 20h:48
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GRÉCIA
Estudantes enfrentam policiais em Atenas
Segundo informações, cerca de 7.000 pessoas estiveram presentes, o que fazia com que houvesse quase um policial para cada manifestante presente
A polícia grega lançou gás lacrimogêneo contra jovens usando máscaras ontem, enquanto milhares de pessoas tomavam as ruas de Atenas para lembrar o levante estudantil de 1973 contra a ditadura militar (1967-1974) e protestar contra as medidas de austeridade do governo. Estudantes, professores, operários e aposentados saíram em passeata tocando tambores e gritando "Fora UE (União Europeia), FMI (Fundo Monetário Internacional)", no primeiro teste público para o novo governo de unidade nacional, responsável por impor à população dolorosos reajustes de impostos e cortes de gastos públicos para evitar a falência da Grécia. A data marca anualmente protestos contra os líderes políticos e ajustes econômicos. Em anos anteriores, houve conflitos e, em um momento de tensão nacional, as autoridades estão com a atenção voltada ao evento. Segundo o Ministério de Proteção ao Cidadão, mais de 7.000 agentes foram mobilizados em Atenas para evitar distúrbios, uma vez que a tradicional manifestação já se tornou palco de confrontos entre grupos radicais e a polícia. De acordo com estimativas dos organizadores, cerca de 7.000 pessoas estiveram presentes, o que fazia com que houvesse quase um policial para cada manifestante presente. Os incidentes mais graves até agora aconteceram em 1980, quando dois manifestantes morreram em um confronto que durou toda a noite e causou várias dezenas de feridos. NOVA LEI Neste ano, a comunidade universitária está profundamente descontente por conta de uma nova lei aprovada no Parlamento em setembro com os votos dos três partidos que integram e apoiam o novo Executivo de Papademos. A nova legislação reduz drasticamente o poder dos reitores, introduz o financiamento das universidades pelo setor privado e derruba a proibição da presença policial nos campus sem convite prévio das autoridades universitárias. Além disso, as medidas de austeridade impostas nos dois últimos anos para salvar o país da quebra e receber ajuda externa, assim como as reformas pouco populares anunciadas pelo novo primeiro-ministro com o mesmo propósito, têm provocado um mal-estar social crescente. O secretário-geral do sindicato de trabalhadores do setor privado, Nikos Kioutoukis, afirmou que neste ano a mensagem passada é de que "os gregos não suportam mais a situação atual". VOTO O novo governo de coalizão da Grécia conquistou anteontem, com ampla maioria, o voto de confiança do Parlamento. A moção foi aprovada por 255 deputados e rejeitada por 38 de um total de 300 parlamentares, dos quais 293 participaram da votação. A aprovação garante o apoio folgado ao novo governo, formado por três partidos - socialista, conservador e ultradireita -, que foi designado na semana passada sob a pressão dos credores da Grécia. Representa também um apoio à promessa de Papademos de acelerar as reformas de longo prazo exigidas para garantir um acordo sobre o plano de resgate do país, que está à beira da falência.