O futuro político do Haiti parece ainda indefinido após a realização anteontem de eleições que acabaram marcadas por protestos do eleitorado e da maioria dos candidatos. A comunidade internacional tem diante de si a difícil decisão de dar ou não seu aval à eleição, que foi confusa na melhor das hipóteses, ou fraudada, na pior. Isso pode complicar os esforços pela criação de um governo estável e legítimo no país, que foi devastado por um terremoto em janeiro e agora enfrenta uma epidemia de cólera. Autoridades eleitorais locais qualificaram o pleito como bem sucedido, a despeito da indignação popular com os problemas na seções de votação. Em nota conjunta, 12 dos 18 candidatos denunciaram "fraude maciça." PROTESTO Ontem, pelo menos mais dois candidatos se juntaram aos protestos, segundo uma rádio local. Isso deixou Jude Célestin, candidato da coalizão governista Inité (Unidade), praticamente isolado na defesa da legitimidade do processo. Celestin desponta como um dos favoritos, ao lado da ex-primeira-dama Mirlande Manigat e do cantor Michael "Sweet Micky" Martelly - os quais aderiram à petição pelo cancelamento da eleição. Não havendo um favorito claro, o mais provável é que os dois mais votados se enfrentem num segundo turno em 16 de janeiro. No centro da capital, Porto Príncipe, a incerteza e as tensões são elevadas. As dilapidadas ruas da cidade estão agora tomadas por cartazes eleitorais e, em algumas ruas, por cédulas eleitorais em branco.