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MUNDO
Terça-feira, 28 de Abril de 2009, 19h:59

GRIPE SUÍNA

Doença avança; mais países são atingidos

O México, único país com mortes pela doença até o momento, é visto como origem da epidemia de gripe suína que, apesar do nome, ainda não foi detectada em animais

JAMIL CHADE
Da Agência Estado – Genebra
A gripe suína continua sua expansão e a Organização Mundial da Saúde (OMS) já não descarta nem mesmo elevar mais uma vez o nível de alerta, o que significaria o reconhecimento da eclosão de uma pandemia. "Estamos mais perto disso", afirmou Dick Thompson, porta-voz da OMS. Anteontem, o organismo elevou do grau 3 para 4 o nível, que vai até 6. Preocupada, a entidade apelou para que os países já se preparem para uma pandemia e alertou que, se isso ocorrer, as populações mais pobres serão as mais afetadas pelo vírus H1N1. O nível 4 indica a transmissão do vírus de pessoa para pessoa, numa intensidade capaz de causar epidemia em pelo menos um país e aponta para um significativo aumento do risco de um surto global (quando há uma pandemia). Acima desse nível, já é considerada pandemia. Ontem, a agência de Saúde da ONU confirmou que até as 16h15 (horário de Brasília), sete países confirmaram oficialmente casos de gripe suína. O governo dos Estados Unidos informou 64 casos humanos confirmados por laboratórios, sem mortes. O México relatou 26, incluindo sete mortes. Além desses, Canadá (6), Nova Zelândia (3), Reino Unido (2), Israel (2) e Espanha (2) também confirmaram casos confirmados por exames laboratoriais. O fator que mudaria os cálculos da OMS seria a confirmação de que a propagação do vírus H1N1 está ocorrendo de forma sustentável entre as pessoas e não apenas se manifestando entre indivíduos que acabam de voltar do México. Na prática, isso significa que o vírus já estaria se desenvolvendo fora de seu local de origem. "Há, definitivamente, a possibilidade de que o vírus possa ser transmitido em uma comunidade. É cedo para dizer que isso é inevitável, mas estamos olhando para a possibilidade de uma pandemia", disse Keiji Fukuda, vice-diretor da OMS. Ele aponta que alguns dos estudantes contaminados em Nova Iorque sequer viajaram para o México. Sobre a possibilidade de uma pandemia, Fukuda admite que a OMS está considerando "seriamente" essa possibilidade. As suspeitas de alguns técnicos da OMS é de que isso, de fato, já está ocorrendo. PREPARAÇÃO Diplomatas que acompanham a OMS disseram que a declaração de um nível 5 pela OMS significaria que governos teriam de tomar uma série de duras medidas de controle, o que seria difícil de implementar da noite para o dia. A OMS já se mobiliza para garantir que os governos incrementem suas ações, convoquem seus funcionários e se preparem. "Ainda não é algo inevitável. Mas estamos considerando essa possibilidade de forma muito séria. Chegou o momento de os países se prepararem para uma pandemia, especialmente aqueles que ainda não contam com planos", disse Fukuda. Uma das preocupações da OMS e com a situação dos países em desenvolvimento. O temor é de que, em caso de pandemia, países africanos estariam completamente vulneráveis. "Sabemos que os pobres serão os mais atingidos e que são os que tem o menos recursos. Somos cientes disso e tentamos organizar uma ajuda. Estamos colocando todos os nossos recursos possíveis" afirmou.

Edição EDIÇÃO 16968




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