Os governadores oposicionistas de quatro Departamentos (o equivalente a Estado) bolivianos confirmaram ontem a decisão de proclamar hoje a autonomia de suas regiões, desafiando o governo de Evo Morales, que chamou a atitude de ilegal e de ameaça à unidade nacional. A apresentação dos estatutos de autonomia dos Departamentos de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando será o ponto alto da resistência das autoridades dessas regiões à nova Constituição, aprovada no domingo passado pela Assembléia Constituinte após uma manobra para antecipar a votação. A nova Carta quer dar mais poder à maioria indígena do país e aprofundar a nacionalização dos recursos naturais, o que desagrada à oposição e à elite. Além disso, as quatro regiões autonomistas - as mais ricas do país - reivindicam maior controle sobre seus recursos, atualmente amplamente repassados à La PAz Evo, aliado do presidente venezuelano, Hugo Chávez, manteve-se firme em sua posição e convocou uma passeata indígena e sindical para sábado em La Paz, para comemorar a nova Constituição - que ainda precisa passar por dois referendos nacionais antes de entrar em vigor. Santa Cruz - Líderes de Santa Cruz, motor econômico do país e reduto da direita opositora, denunciaram supostos planos da imposição de um estado de emergência, rumor que voltou a ser negado pelo governo. Embora diga que não intervirá e nem declarará estado de emergência na região, o governo boliviano anunciou na quinta-feira que colocou o Exército em "alerta" para proteger a propriedade privada e pública em Santa Cruz. Além disso, cerca de 400 policiais foram deslocados para a o Departamento, pois, segundo o Ministério da Defesa, é esta a coorporação que deve manter a segurança caso situação fique violenta.