Crise econômica atingiu sua "fase política", diz FMI
Um diretor do FMI disse, em São Paulo, que a crise econômica global chegou a uma "fase política" que exige medidas mais duras e urgentes por parte dos governos para garantir a estabilidade financeira. "Os líderes políticos continuam realizando grandes mudanças de rumo que podem impactar no sistema financeiro em uma época em que a estabilidade financeira (...) ainda não está assegurada", disse o diretor do Departamento de Mercados Monetários e de Capitais do FMI, José Viñals. De acordo com o diretor do FMI, a "falta de soluções abrangentes e suficientes" para resolver os problemas econômicos nos países da "periferia" da zona do euro - entre eles, a Grécia - tem aumentado a pressão dos mercados e trouxe de volta o risco de uma contaminação global. RISCOS Já o economista-chefe e diretor do Departamento de Pesquisas do FMI, Olivier Blanchard, afirmou que os principais riscos para a recuperação econômica mundial vêm dos países da "periferia" da Europa; da crise fiscal em nações desenvolvidas, como os Estados Unidos, e do superaquecimento em algumas economias emergentes. "A diferença entre economias fortes e economias superaquecidas é difícil de detectar, mas temos razões para pensar de que alguns países estão cruzando esta linha", disse Blanchard, ao comentar a revisão do relatório World Economic Outlook. O economista-chefe do FMI admite que o aumento da competitividade na Grécia e em outros países europeus só ocorrerá por meio de um processo "longo e doloroso", com políticas internas e ajudas externas, por meio de empréstimos. No entanto, apesar das dificuldades, Blanchard afirma que manter estes planos é fundamental para garantir a estabilidade global. BRASIL Quanto ao Brasil, a subchefe da Divisão de Estudos Globais do Fundo, Rupa Duttagupta, afirma que a revisão para baixo da previsão de crescimento do PIB em 2011 e 2011 se deve ao desaquecimento de alguns setores, como a indústria, e os efeitos iniciais das medidas macroeconômicas para reduzir a inflação.