Uma mulher iraniana identificada como a viúva Sakineh Mohammadi Ashtiani, de 43 anos, condenada à morte por apedrejamento, apareceu anteontem em um canal estatal de televisão do Irã. Na entrevista, a mulher, que aparece com o rosto coberto, nega ter sido vítima de tortura das autoridades iranianas. Acusada de adultério e de ter assassinado o marido, Ashtiani sempre rebateu as denúncias. Recentemente, as autoridades anunciaram a revisão da pena. Ela pode ser morta por enforcamento. As informações são da agência BBC Brasil. A organização não governamental (ONG) de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional condenou a entrevista exibida pela TV iraniana. Para a ONG, as "confissões" atribuídas à viúva são televisadas. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, disse que o apoio de países ocidentais a Ashtiani tem motivações políticas e revela a prática de dois pesos e duas medidas. Em um boletim de notícias, o canal IRTV2 transmitiu uma reportagem sobre o caso de Ashtiani, contendo imagens de uma entrevista anterior, que foi ao ar no dia 12 de agosto. Trechos da reportagem mostram uma mulher, cujo rosto não pôde ser identificado, dizendo que não foi coagida por tortura a fazer os comentários contidos em sua primeira entrevista. As declarações, no dialeto azari, são traduzidas para o persa por meio de legendas. "Não fui torturada de forma alguma. Estas são minhas próprias declarações. Ninguém me obrigou a aparecer diante das câmeras. Tudo o que estou dizendo são minhas próprias palavras", diz a mulher, identificada com as iniciais S.A.