MUNDO
Terça-feira, 16 de Novembro de 2010, 20h:28
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PORTUGAL
Brasileiro é morto por urinar na rua
O crime ocorreu em Caldas da Rainha, 100 quilômetros a norte de Lisboa, na madrugada de domingo. O crime foi presenciado pela companheira do brasileiro
JAIR RATTNER
Da Agência Estado Lisboa
O brasileiro Luciano Correia da Silva, de 28 anos, natural de Rondônia, foi assassinado por urinar na rua em Portugal. O crime ocorreu em Caldas da Rainha, 100 quilômetros a norte de Lisboa, na madrugada de domingo. O crime foi presenciado pela companheira de Silva, a esteticista paranaense Andressa Valéria. Segundo a mãe de Andressa, Edna Santos, antes de ser esfaqueado, Silva foi vítima de xingamentos xenófobos. Quando saiu de um bar, às 3h30, Silva foi urinar num canto. Repetindo o que a filha contou, Edna diz que apareceu um português e começou a gritar: "Brasileiro de merda, volta para tua terra". O português parecia estar embriagado. Em seguida, começou uma discussão, em que Silva dizia que ia mesmo retornar ao Brasil, porque em Portugal não valia a pena ficar. Na discussão, o agressor teria tirado uma navalha e dado uma facada no brasileiro. "Foi só uma. Acertou o coração dele", conta Edna. Silva foi levado ao hospital, onde ficou em reanimação por cerca de duas horas, mas não resistiu. Edna conta que a saída foi para desanuviar a cabeça. "O Luciano (Silva) estava trabalhando há um mês e meio numa quinta (chácara) e não pagaram. Ele estava deprimido, se sentindo mal por isso e resolveu sair um pouco, convidando a Andressa. Eles foram a um bar e na saída aconteceu isso." Segundo Edna, Silva, planejava realmente retornar ao Brasil. "Ele viu que aqui não estava dando certo e pretendia voltar no final do ano ou no começo do próximo ano." Madeireiro em Rondônia, Silva vivia em Portugal há quatro anos e estava legalizado no país. Em Portugal foi madeireiro e esteve na construção civil, entre outros trabalhos. Ele morava há dois anos junto com Andressa e uma filha dela de 21 meses. Pelo que Andressa contou, o agressor teria cerca de 40 anos, era moreno e baixinho. O crime está sendo investigado pela Polícia Judiciária portuguesa - que corresponde à Polícia Federal brasileira. A assessoria de imprensa da polícia informou que, normalmente, esse tipo de investigação não costuma demorar muito tempo. No entanto, ainda não foi encontrado o suspeito, que segundo a imprensa portuguesa estaria foragido. De acordo com as normas portuguesas, não é possível revelar informações do inquérito porque se encontra em segredo de justiça. A pena máxima por homicídio em Portugal é de 25 anos de prisão. Como as leis nacionais criminalizam a xenofobia, a utilização de termos xenófobos ao cometer o crime pode ser considerada agravante. DEPORTAÇÕES As deportações de imigrantes ilegais atingiram números recordes nos Estados Unidos durante o governo de Barack Obama, considerado mais rígido que os anteriores na fiscalização desses casos e na aplicação de penalidades. No último ano fiscal (encerrado no fim de setembro), os Estados Unidos deportaram 392.862 imigrantes ilegais, um aumento em relação às 389 mil deportações registradas em 2009 e às 369 mil de 2008. Além do maior número de deportações que seu antecessor, George W. Bush, o governo Obama também tem aumentado a fiscalização sobre empresas e estabelecimentos comerciais que contratam imigrantes ilegais. Mais de 2,2 mil estabelecimentos foram investigados neste ano sob suspeita de empregarem imigrantes ilegais - em 2009, esse número foi de menos de 1,5 mil. ACUSAÇÕES Segundo o Departamento de Segurança Interna, essas ações resultaram em acusações criminais contra quase 200 empregadores e mais de US$ 50 milhões (R$ 86 milhões) em multas. O governo americano diz que metade dos deportados no último ano fiscal eram criminosos já condenados e que estavam nos Estados Unidos ilegalmente. Afirma ainda que cerca de um terço dos criminosos deportados haviam cometido crimes graves, como assassinato ou estupro.