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MUNDO
Quinta-feira, 19 de Abril de 2012, 20h:29

PETROBRAS

Brasil não teme problemas com a Argentina

Segundo ele, na reunião de hoje com o ministro do Planejamento argentino, Julio De Vido, o governo brasileiro vai apenas “ouvir e redarguir [replicar]”

SABRINA CRAIDE e RENATA GIRALDI
Da Agência Brasil – Brasília
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse ontem que o governo não está preocupado com possíveis problemas da Petrobras na Argentina. Segundo ele, na reunião de hoje com o ministro do Planejamento argentino, Julio De Vido, o governo brasileiro vai apenas “ouvir e redarguir [replicar]”. “Não estamos visualizando nenhum problema com a Argentina, não podemos colocar o carro adiante dos bois. Nossas relações da Petrobras com a Argentina estão em plena normalidade, não há o que abordar sobre o assunto”, disse Lobão. Na última segunda-feira, o governo argentino anunciou a proposta de expropriação da petrolífera YPF, administrada pela espanhola Repsol, alegando falta de investimentos da empresa no país. Como a Petrobras tem muitos investimentos no país vizinho, existe o temor de que algo semelhante possa ser feito com a empresa brasileira. Um dos assuntos abordados na reunião de hoje será o aumento de investimentos da Petrobras na Argentina, que já foi debatido recentemente em visita recente de Lobão a Buenos Aires. Outra tema que entrará em debate será a construção das usinas hidrelétricas Garabi e Panambi, que serão construídas em parceria entre os dois países. Lobão também relatou que o presidente uruguaio, José Mujica, pediu ontem o aumento do volume de energia fornecida pelo Brasil ao seu país. Atualmente, o Brasil fornece 300 megawatts de energia, e o Uruguai pediu que o fornecimento suba para 500 megawatts, mas, segundo Lobão, o Brasil não poderá atender a essa demanda imediatamente. “Neste momento, estamos com uma seca intensa no Rio Grande do Sul. Nossas hidrelétricas estão praticamente paralisadas no estado. Estamos enviando energia de outros estados para o Rio Grande do Sul e não podemos dispor desta energia para outro país neste momento”, disse. O ministro garantiu que o Brasil vai despachar energia de uma termelétrica de Uruguaiana (RS) para atender ao país vizinho. APOIO Em campanha na América Latina contra a expropriação, pelo governo da Argentina, da petrolífera espanhola YPF, administrada pela Repsol, o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, conversa ontem com o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos. Anteontem, Rajoy se reuniu com o presidente do México, Felipe Calderón. Não há previsão da visita de Rajoy ao Brasil nem aos demais países do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai). Rajoy chegou anteontem à noite a Bogotá para participar do Fórum de Investimentos Colômbia-Espanha de Cooperação, que reúne empresários dos dois países. Ele receberá ainda o título de doutor honoris causa da Universidade Sergio Arboleda, em Bogotá, e depois conversa com Santos. Em discussão, a decisão do governo da presidenta argentina, Cristina Kirchner, referendada pelo Senado do país, de expropriar a empresa YPF. A ideia é que o governo fique com 51% das ações. A justificativa da presidenta é que a exploração de petróleo e hidrocarbonetos deve ficar sob a responsabilidade da União. Para os argentinos, o pedido de indenização exigido pela Repsol não corresponde à quantia avaliada pelas autoridades do país. A União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) condenaram a decisão de Cristina Kirchner e demonstraram preocupação com as consequências. Empresas espanholas ameaçam suspender investimentos na Argentina. Os governos do Brasil e do Chile respaldaram a decisão da Argentina. Para ambos, a medida se baseia na soberania argentina. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse anteontem que o assunto está sendo “monitorado” e acompanhado pelas autoridades brasileiras.

Edição EDIÇÃO 16959




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