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MUNDO
Quinta-feira, 22 de Agosto de 2013, 21h:14

SÍRIA

Bombardeios com armas químicas continuam

Cerca de 1.300 pessoas foram mortas nos últimos dois dias em decorrência do uso dessas armas. EUA descartam, por enquanto, intervenção militar na Síria

RENATA GIRALDI
Da Agência Brasil - Brasília
Ativistas políticos na Síria disseram ontem que os bombardeios, com o uso de armas químicas, nos arredores de Damasco, capital do país, permanecem intensos. Segundo eles, cerca de 1.300 pessoas foram mortas nos últimos dois dias em decorrência do uso dessas armas pelo governo do presidente Bashar Al Assad, que nega as acusações. O governo brasileiro recomenda cautela e a investigação por peritos internacionais. O chefe do Estado-Maior norte-americano, general Martin Dempsey, descartou a possibilidade de intervenção militar na Síria. Segundo ele, a medida não faz parte dos interesses dos Estados Unidos. O general Dempsey justificou que a oposição síria não apoia os interesses norte-americanos. Em correspondência destinada ao deputado democrata Eliot Engel, Dempsey referiu-se à militarização da oposição síria e ao peso dos grupos armados extremistas. "Considero que o campo que escolhemos [apoiar] deve estar preparado para promover os nossos interesses”, disse o general. Segundo ele, os Estados Unidos podem destruir a aviação síria. “Isso não seria decisivo no terreno militar e nos envolveria no conflito", acrescentou. BOMBARDEIOS A Comissão Geral da Revolução Síria, organização não governamental, destacou que os bombardeios atingiram Muadamiya e Guta, na periferia de Damasco. Também foi atingido o bairro de Al Qabun. Os comités de coordenação local, que apoiam a oposição, informaram que houve bombardeios com artilharia pesada em outras áreas, como Jan Sheij e Daraya. A organização Exército Livre Sírio (ELS), que também apoia a oposição, domina áreas próximas a Damasco. O governo sírio lançou anteontem uma operação sobre bairros dos arredores da capital, controlados pela oposição, e desmentiu que tenha utilizado armas químicas, conforme denunciado. A Coligação Nacional Síria, que atua em favor da oposição, denunciou que pelo menos 1.300 pessoas morreram ontem. Atualmente, na Síria, há uma missão de peritos das Nações Unidas destinada a investigar três casos de ataques químicos. O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) se reuniu ontem à noite, mas não conseguiu chegar a acordo para pedir formalmente uma investigação sobre o ataque químico denunciado nessa quarta-feira pela oposição síria. Desde o início dos confrontos na Síria, em março de 2011, morreram mais de 100 mil pessoas e aproximadamente 7 milhões de sírios precisam de ajuda humanitária de emergência, de acordo com balanço da ONU. Os confrontos foram deflagrados pela disputa política entre a oposição e o presidente Bashar Al Assad, que é pressionado a deixar o poder, mas resiste. SEM ACORDO Sem acordo, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), formado por 15 integrantes, encerrou a reunião de urgência convocada anteontem à noite para discutir medidas relativas ao agravamento da crise na Síria. O órgão não conseguiu consenso para encaminhar um pedido formal de investigação sobre a denúncia de um ataque químico, nos arredores de Damasco, matando cerca de 1.300 pessoas, inclusive crianças e adolescentes.

Edição EDIÇÃO 16962




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