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MUNDO
Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012, 21h:32

SÍRIA

Atentados matam 35 civis e militares

A Rússia anunciou que vetará no Conselho de Segurança da ONU o projeto de resolução árabe sobre a Síria que pede a renúncia do presidente Bashar al-Assad

A violência deixou 35 mortos ontem na Síria, incluindo 12 membros das forças de segurança e 23 civis, anunciou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). Os 12 membros das forças de segurança foram mortos em dois atentados praticados em Idleb (noroeste) e em Mazairib, perto de Deraa (sul), disse à AFP o presidente do OSDH, Rami Abdel Rahmane. Em Idleb, um atentado com carro-bomba contra um posto de controle das forças de segurança deixou seis mortos. E em Mazairib, desertores atacaram dois ônibus com soldados, deixando seis mortos e cinco feridos, explicou Rahmane, sem indicar os autores do primeiro atentado. Enquanto isso, a repressão das forças de ordem deixou 23 mortos em várias grandes cidades, entre elas Alep, segunda maior do país, onde o Exército realiza uma grande ofensiva, anunciou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). Doze civis morreram atacados pelas forças do regime de Bashar al-Assad em Naua, província de Deraa (sul), cinco em Alep (norte), quatro em Homs (centro), um em Hamurieh (perto de Damasco) e um em Hama (centro), indicou o OSDH em uma série de comunicados. De acordo com o OSDH, foi a primeira vez que civis foram mortos em Alep pelas forças de segurança desde o início da revolta contra o regime do presidente Bashar al-Assad, em março de 2011. O chefe da missão de observação da Liga Árabe na Síria, general Mohammed Ahmed Mustapha al-Dabi, declarou nesta sexta-feira que os episódios de violência registraram um forte aumento nos últimos três dias, particularmente em Homs, Hama e Idleb, no norte e no noroeste do país. O OSDH havia indicado 62 mortos na quinta, sendo 43 civis, e 25 mortos, incluindo 15 civis, na quarta. VETO A Rússia anunciou ontem que vetará no Conselho de Segurança da ONU o projeto de resolução árabe sobre a Síria que pede a renúncia do presidente desse país, Bashar al-Assad. "Não podemos apoiar nenhuma resolução que inclua a chamada a apoiar a saída de Assad de seu posto", declarou Gennady Gatílov, vice-ministro de Relações Exteriores russo, à agência Interfax. O diplomata ressaltou que "qualquer decisão sobre o futuro político na Síria deve ser adotada durante um processo incondicional prévio e demandar a renúncia de Assad é uma dessas condições prévias". "Este projeto foi preparado inicialmente pelos franceses, e agora cedem a iniciativa os países árabes, em particular Marrocos, que vai enviar esse projeto ao Conselho de Segurança", apontou. Gatílov lamentou também que o projeto também não descarte uma possível intervenção militar e insista na adoção de sanções contra o regime de Assad. "Tudo é possível. Mas este é um projeto condenado ao fracasso, já que nossa opinião e a de nossos parceiros chineses já foi expressada com clareza", ressaltou. O vice-ministro destacou a postura russa que qualquer resolução sobre a Síria deve pedir "não só ao governo sírio, mas também à oposição, que cesse a violência e inicie um diálogo nacional incondicional prévio". O projeto de resolução prevê uma "transição política rumo a um sistema político plural e democrático (...), através da transferência de poder do presidente e eleições livres e transparentes". A Rússia, que acusa os EUA de querer aplicar na Síria o roteiro líbio - sanções internacionais, embargo aéreo, intervenção militar ocidental e mudança de regime -, já vetou em outubro junto com a China um projeto europeu de condenação a Damasco pela repressão violenta das manifestações opositoras. Segundo informou esta semana a imprensa russa, Moscou fornecerá à Síria 36 aviões de instrução de combate Yak-130 em virtude de um contrato assinado em dezembro do ano passado.

Edição EDIÇÃO 16968




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