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MUNDO
Terça-feira, 02 de Março de 2004, 20h:28

IRAQUE

Ataques contra xiitas matam 143

Foi o dia mais sangrento no Iraque desde a queda do ditador Saddam Hussein, em abril do ano passado

Ataques coordenados contra xiitas em Bagdá e Kerbala deixaram ontem ao menos 143 mortos durante seu dia mais sagrado. Foi o dia mais sangrento no Iraque desde a queda de Saddam Hussein, em abril do ano passado. O general Mark Kimmitt, vice-diretor de operações do Exército dos EUA no Iraque, declarou que três homens-bomba se explodiram em Bagdá e um, em Kerbala. Segundo Kimmitt, morteiros também foram usados nos ataques em Kerbala. Lideranças xiitas, grupo que congrega cerca de 60% da população iraquiana, disseram que os ataques são um tentativa de provocar uma guerra civil. O Exército dos EUA afirmou no mês passado que tinha provas de que a rede terrorista Al Qaeda estava planejando atacar os xiitas para intensificar a violência sectária. Segundo o general Kimmitt, as explosões mataram ao menos 85 pessoas em Kerbala, uma cidade sagrada em que mais de 2 milhões de xiitas do Iraque, do Irã e de outros países tinham se reunido. Em Bagdá, as explosões atingiram a mais importante mesquita xiita local, a Khadimiya, no norte da capital iraquiana, deixando 58 mortos, disse Kimmitt. Em um ataque separado em Bagdá, guerrilheiros jogaram uma bomba contra um veículo militar americano na manhã de ontem, matando um soldado e ferindo gravemente outro, segundo o Exército. A morte elevou para 379 o número de soldados americanos mortos em ação desde o início da guerra liderada pelos EUA no Iraque, há quase um ano. Xiitas lotaram Kerbala e alguns distritos de Bagdá para celebrar a Ashura, o décimo dia do mês muçulmano de Muharram, quando, de acordo com a tradição, o imã Hussein, neto do profeta Muhammad, foi morto em uma batalha há mais de 13 séculos. Durante a cerimônia, os xiitas batem em suas cabeças e peito para lembrar o sofrimento do imã Hussein, que foi decapitado por inimigos. É a primeira vez em três décadas que a comunidade xiita celebra esta festa religiosa. A cerimônia era proibida no governo de Saddam.

Edição EDIÇÃO 16961




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