MUNDO
Segunda-feira, 19 de Março de 2012, 21h:21
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MORTE NA ESCOLA
Ataque contra escola deixa 4 mortos
Atirador chegou de moto em uma escola judaica em Tolouse, na França, matando três crianças e um adulto e fugindo logo em seguida
Quatros pessoas, incluindo três crianças, foram assassinadas a tiros ontem em uma escola judaica em Toulouse, sul da França, por um homem em uma moto, provavelmente o mesmo atirador que matou três militares franceses na semana passada na mesma região. O crime comoveu a França em plena campanha eleitoral. "É uma tragédia espantosa. Toda a República Francesa está afetada por este drama abominável", afirmou o presidente francês Nicolas Sarkozy, que viajou imediatamente a Toulouse. As vítimas são um professor de religião de 30 anos, seus dois filhos, de três e seis anos, e a filha de 10 anos da diretora do centro de ensino. Além disso, um adolescente de 17 anos ficou gravemente ferido no tiroteio. Testemunhas afirmaram que o criminoso abriu fogo contra um grupo de pais e crianças diante do colégio judaico Ozar Hatorah, que fica em um bairro residencial de Toulouse, antes fugir em uma moto. "Ele atirou contra tudo o que tinha pela frente, crianças e adultos. As crianças foram perseguidas até dentro da escola", declarou o procurador à imprensa. A forma de operar do assassino recorda a utilizada por um homem que na semana passada matou três militares e feriu gravemente outro na mesma região. O atirador também circulava de moto. O criminoso utilizou duas armas, uma delas do mesmo calibre da usada no assassinato de soldados de um regimento de paraquedistas em Toulouse e Montauban. Segundo o procurador, "existem elementos que justificam que se imagine seriamente a questão de um vínculo entre esta matança e os recentes assassinatos de militares". A tragédia abalou a campanha presidencial francesa, que terá o primeiro turno em 22 de abril, e que ontem começava de maneira oficial. Além de Sarkozy, que chegou a Toulouse acompanhado do presidente do Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França (CRIF), Richard Prasquier, o candidato socialista, François Hollande, também anunciou a suspensão momentânea da campanha para manifestar solidariedade às famílias das vítimas e à comunidade judaica da França. O ministério do Interior anunciou um reforço da vigilância das escolas judaicas, que já contam com medidas de proteção na França. Patrick Rouimi, pai de um aluno, afirmou que o homem abriu fogo contra as pessoas que aguardavam em um ponto de transporte escolar. A rua Dalou, onde fica o centro de ensino, foi isolada e centenas de policiais foram mobilizados ao redor do colégio. Na quinta-feira passada, um homem em uma moto preta matou a sangue frio dois soldados de um regimento de paraquedistas da cidade de Montauban e feriu gravemente outro. A Justiça francesa vinculou imediatamente as mortes de Montauban com o assassinato de outro militar cometido no domingo 11 de março em Toulouse. Nos dois ataques a mesma arma foi utilizada. Mais de 50 investigadores foram mobilizados para encontrar o autor dos crimes. "Uma explicação? Trata-se de um antissemitismo brutal e abjeto", afirmou o dr. Charles Bensemhoun, morador de Toulouse. "Agora atiram contra crianças", completou uma mulher que estava a seu lado. O governo de Israel afirmou estar "horrorizado". "Estamos horrorizados com este ataque. Confiamos que as autoridades francesas farão tudo para investigar o drama e levarão os responsáveis pelos assassinatos à justiça", declarou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Yigal Palmor. O grande rabino da França, Gilles Bernheim, afirmou que estava "terrivelmente comovido" e que viajaria a Toulouse. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, condenou "o assassinato odioso de judeus, incluindo pequenas crianças". "É muito cedo para saber exatamente quais são as circunstâncias deste assassinato, mas não podemos descartar a possibilidade de que tenha sido motivado por um antissemitismo violento e sangrento", declarou Netanyahu a membros de seu partido Likud. O Vaticano, por sua vez, manifestou sua "profunda indignação, seu horror, e sua condenação mais firme". "O atentado de Toulouse contra uma escola e três crianças judias é um ato horrível e desprezível, que se junta a outros recentes de violência absurda que feriram a França", declarou o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.