MUNDO
Quinta-feira, 02 de Julho de 2015, 19h:20
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CALOTE GREGO
Aposentados enfrentam longas filas
Em grave crise financeira e se negando a pagar dívidas internacionais, os gregos estão sofrendo até para receber seus salarios
Pensionistas gregos se acotovelavam em longas filas ontem para tentar entrar em um número limitado de bancos que foram abertos especialmente para pagar benefícios de aposentadoria. A Grécia fechou seus bancos esta semana para evitar uma fuga em massa de dinheiro, diante do impasse de sua dívida internacional. A cena simboliza a miséria na qual a Grécia afundou e mostra os problemas crescentes que o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, deve enfrentar nos próximos dias, destacou a Reuters. Com os bancos fechados e controles de capital impostos para proteger o sistema financeiro do colapso, a gravidade dos problemas diante do país se torna mais clara a cada dia. O governo de esquerda de Tsipras subiu ao poder em janeiro prometendo proteger aposentados, e muito do desgaste nas relações com credores internacionais centrava-se em sua recusa em aceitar os cortes em aposentadorias exigidos pelos credores. Ciente do fato de que muitos gregos mais velhos não usam cartões de crédito ou débito e, portanto, não têm acesso a caixas automáticos, o governo ordenou que mil bancos abrissem em todo o país para pagar um máximo de 120 euros e emitir cartões. Porém, com isso criou uma lembrança constrangedora dos custos que o enfrentamento com credores está inflingindo sobre uma sociedade já profundamente afetada por mais de cinco anos de austeridade dura imposta por sucessivos acordos de resgate. Em um país onde uma em cada quatro pessoas na força de trabalho não tem emprego, o drama dos pensionistas, cujos benefícios mensais muitas vezes podem ser a única fonte de renda para famílias, é uma situação muito sensível. País quebrado - O governo da Grécia precisa de novos perdões de dívida, afirmou ontem o FMI. A dívida vai voltar a crescer em ritmo explosivo, "insustentável", nos próximos anos. Dado o ritmo previsto de crescimento da economia e de contenção de gastos públicos, o governo não será nem mesmo capaz de pagar suas contas e débitos até 2018. De imediato, é "imperativo" que os credores gregos, União Europeia e FMI, concedam um empréstimo adicional de 36 bilhões de euros, a taxas de juros cobradas de países com crédito semelhante ao da Alemanha, com longos prazos de carência e vencimento. Mas é muito provável que os gregos precisem de muito mais. Mesmo no prognóstico mais otimista do FMI, a dívida pública ainda será o equivalente a 150% do PIB em 2020 (isto é, uma vez e meia o valor da produção ou da renda nacional em um ano, o tamanho da economia, do PIB). Ao final do ano passado, a dívida equivalia a 177% do PIB (a cerca de 330 bilhões de euros). A fim de atingir as metas de dívida "sustentável" seria necessário um perdão da dívida. No mínimo, será preciso dobrar o prazo de carência de pagamento da dívida com a União Europeia para 20 anos e também estender a amortização para 40 anos, além de conceder os 36 bilhões de euros necessários para cobrir compromissos até 2018. Mesmo com esse empréstimo extra, a dívida grega permaneceria "muito alta por décadas e altamente vulnerável a choques". Seria portanto necessário um perdão da dívida que permita uma redução da dívida equivalente a 30% do PIB grego a fim de atingir as metas "sustentáveis" definidas no acordo entre Grécia e credores de 2012. O FMI começa por sugerir um perdão de 53 bilhões de euros, ao menos. Tais estimativas levam em conta as metas de superávit primário (receitas menos despesas, excluídos pagamentos de juros) e crescimento econômico que vinham sendo discutidas entre credores e gregos até a semana passada.