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Cuiabá MT, Quarta-feira, 24 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Terça-feira, 08 de Março de 2016, 19h:15

NOVATO

Zé Ricardo inova pintando em telhas

O artista cuiabano usa como suporte de sua pintura telhas coloniais e tem como temática motivos regionais

JOÃO BOSQUO
Da Reportagem
O que deu na ‘telha’ de José Ricardo Santos da Silva, ou simplesmente Zé Ricardo, de pintar em telhas? Nem ele mesmo sabe explicar direito. Essas coisas acontecem e só a teoria do carma poderia talvez explicar. O pintor, contudo, convive com o massoterapeuta e os dois no mesmo espaço, na região da Grande Morada da Serra, vão levando a arte e a terapia com a mesma responsabilidade. Zé Ricardo, 32 anos, já lembra que começou a desenhar quando tinha nove anos – papel e lápis e todos os desenhos que as crianças gostam de fazer, enquanto estudava primeiro e segundo graus. No intermédio disso conheceu a artista plástica Fátima Corrêa com quem começou a ter aulas de pintura. Um ano e depois parou pois queria mesmo era dominar a técnica do desenho. E o autodidata se manifesta e passa a desenhar rostos copiando de revistas. Até que um certo dia alguém viu um desses desenhos e pediu para ele fazer um desenho dele; outros parentes foram na mesma linha, até que resolveu passar a cobrar e as pessoas se dispuseram a pagar e ele viu que se podia ganhar dinheiro com aquilo e foi surgindo o desenhista profissional, ou vice-versa, e ficou ganhando seu dinheirinho por uns cinco anos, quando resolveu voltar à pintura. Aqui está a interrogação que Zé Ricardo não sabe explicar. Antes, porém, tentou a carreira de cantor, mas os shows noturnos eram incompatíveis com a outra atividade – massoterapia - abandonou a música e a dupla foi desfeita, e ficou em torno de dois anos matutando sobre pintar e usar a telha como suporte. A ideia não era usar as telhas modernas, mas as coloniais, conhecidas também como cuiabanas, as ditas feitas nas coxas. A expressão “feito nas coxas”, para dizer de algo malfeito vem das nossas origens escravocratas. Os negros escravos faziam as telhas de barro usando como molde as próprias coxas e como cada escravo tinha coxas de tamanhos diferentes, o passante, quando via aquele telhado com telhas de tamanhos diferentes, dizia: “foi feito nas coxas”. Agora tem um golpe sendo talhado, com distorções proporcionais a telhas do império, e pelo visto será empurrado goela abaixo da população brasileira sob o sofisma de combate à corrupção... e depois tudo voltará ao normal – caixa 2, pensões de amantes, contas no estrangeiro –, sem caça às bruxas. Voltemos ao nosso artista. Zé Ricardo encontrou a telha cuiabana e viu ali o suporte que precisava para a sua arte. A temática do artista são as igrejas, os casarios da nossa Cuiabá, os pontos turísticos e a fauna pantaneira. As telhas, claro, são usadas aquelas que ainda são comuns nas regiões como o Distrito da Guia e outros e outros. As telhas são tratadas – lavadas e em alguns casos passa-se uma base de massa corrida para proporcionar uma textura melhor ao mesmo tempo em que dá mais resistência ao material. Ele está trabalhando na produção para realizar a sua primeira exposição. As telhas são comercializadas em seu ateliê e o preço base é R$ 100,00 reais. Algumas peças poderão ser vistas no facebook do artista, Zé Ricardo Art. Serviço: Ateliê de Zé Ricardo Art Rua Roraima, 22, quadra 34 – CPA II

Edição EDIÇÃO 16968




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