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ILUSTRADO
Quinta-feira, 27 de Maio de 2010, 21h:48

TEATRO

Um Odorico Paraguaçu à moda cuiabana

Alunos da Escola Livre Porto Cuiabá estão encenando ‘O Bem Amado - Memórias Póstumas de Odorico Paraguaçu”. Temporada começou ontem e vai até domingo no Centro Cultural da UFMT

Os alunos do 3º ano do Ensino Médio da Escola Livre Porto Cuiabá estão encenado, desde ontem (27), até a domingo (30) a peça O Bem Amado - Memórias Póstumas de Odorico Paraguaçu, às 20h, no Centro Cultural da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). A proposta é despertar no público uma reflexão a respeito do país onde vive e das práticas adotadas pelos políticos que hoje estão no poder. O texto adaptado de Dias Gomes está mais bem-humorado e leve, para que possa ser assistido por todos os públicos, inclusive crianças. Mas não deixa de ser levemente apimentado, bem à moda cuiabana. Segundo o diretor teatral e musical, Roberto Sól, a escolha da peça surgiu em fevereiro. Desde então, os 19 estudantes tiveram muito trabalho pela frente. Inicialmente, fizeram as adaptações, tirando cenas mais pesadas, como de um aborto, e acrescentaram cinco personagens à peça original: os três palhaços caçadores de tesouros (Chefe, Pipoca e Jão), a Morte e o Espírito de Odorico. Ao invés de terminar com um caixão sobre o palco, inicia-se. Como faz Brás Cubas, personagem inesquecível de Machado de Assis, Odorico-morto narra sua própria história. “Apesar de terem o apoio dos professores, os jovens assumiram toda a responsabilidade de produção”. As modificações renderam ao carismático Odorico Paraguaçu uma lucidez que ele não tinha quando estava vivo. E a Morte faz vezes de juíza final às peripécias imorais que giram em torno do poder político. A história se passa em Sucupira, cidadezinha repleta de personagens caricatos e engraçados. Tudo gira em torno da inauguração da maior obra de Odorico, o cemitério municipal. Tem o Zeca Diabo, matador de coração mole. As Irmãs Cajazeiras, bajuladoras de Odorico. O vigário, sempre em cima do muro. Moleza, o funcionário do cemitério sempre dorme em serviço. E o Neco Pedreira, jornalista da oposição que no final da história acaba sendo eleito prefeito. Será que ele fará diferente? "Vamos pôr de lado os entretantos e partir para os finalmentes", brinca o estudante Matheus Salomé, que interpreta Odorico na peça. Ele explica que está fascinado com a oportunidade que o teatro está oferecendo. Ao invés de apenas receber informações e mensagens do mundo exterior, os estudantes ganharam voz para dizer o que pensam. A experiência também tem sido importante para observar o conhecimento de maneira transversal e multidisciplinar. “Nós criamos cartaz, buscamos patrocínio, montamos o figurino, cenário, iluminação, fizemos o planejamento de divulgação na mídia, publicidade e propaganda, som e trilha sonora, além de estarmos vendendo os ingressos”. Os estudantes também produziram um trailer que está no ar desde abril no site Yutube, claro, todo processo contou com ajuda de professores, tutores e pais. O mais importante é estar superando limites e lidando com as dificuldades do outro. Roberto acrescenta que o trabalho artístico à luz da pedagogia Waldorf consegue conciliar sentimento e razão, a partir da ligação entre o filosófico e físico, a exemplo da Criação de Adão, de Michelangelo, um afresco que ilustra o teto da Capela Sistina, em Roma. “Sem o processo da criação, o estudo deixa de ser vivificante e se assemelha ao pensamento frio da morte”. SERVIÇO O QUE: peça ‘O Bem Amado - Memórias Póstumas de Odorico Paraguaçu” ONDE: Centro Cultural da UFMT QUANDO: até domingo, sempre às 20 horas QUANTO: R$ 10,00

Edição EDIÇÃO 16964




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