Benedito Nunes, Gervane de Paula, Jonas Barros e Vitória Basaia mostram o que há de melhor na contemporaneidade mato-grossense
Cláudio de Oliveira
Da Redação
Olhar a exposição Diálogo Contemporâneo - Quatro faces da arte mato-grossense é um convite à reflexão. Esta cadeira artística do Gervane de Paula na entrada da galeria da SEC poderia estar no Centre George Pompidou em Paris, museu de arte moderna da cidade Luz. A arte contemporânea avança sobre os objetos, dialoga com eles e cria efeitos de estranhamento como já dissemos aqui antes. Que a arte não comunica, ou não precisa comunicar, como falou Ludmila Brandão ecoando Deleuze, podemos até concordar se admitirmos que sensações e pensamentos não são necessariamente provocados pela comunicação. A impressão das e dos bonecos da Vitória Basaia geram questionamentos como a exploração do corpo, a tortura, a morte, o feminismo e o lúdico. Não dá para encaixotar e escrever uma legenda antecipando o olhar do observador. Basaia ainda não tem uma aceitação fácil em Cuiabá, mas sua casa é um museu vivo e dinâmico que atrai turistas mais antenados com a arte mundial. Jonas Barros com sua experimentação abstrata e sua instalação de esquadrias antigas e coloridas chama atenção para a arte que está em todo canto, inclusive na janela, no chão, no embaralhamento de folhas. Benedito Nunes ganhou projeção regional e nacional com um cerrado quente que derrubou preconceitos arraigados, mas nessa exposição ele explora sua habilidade manual reaproveitando latas e compondo esculturas femininas. Um trabalho de cunho ecológico e que tem um apelo sensual que vai além dos padrões estéticos televisivos. A arte regional ainda dá passos lentos em direção a contemporaneidade, mas estes passos são como pegadas fortes no caso destes quatro artistas. Gervane e Basaia, em especial vem de exposições individuais em que trabalharam objetos, telas e instalações com grande desenvoltura. A exposição Diálogo Contemporâneo - Quatro faces da arte mato-grossense está em cartaz na galeria da secretaria de estado de Cultura em horário comercial, ou seja, de segunda a sexta-feira das 8h às 18h. A entrada é grátis.