O beijo é como um doce veneno. Sedutor. Contamina e embriaga. Possui o dom de assassinar a paz e desencadear furacões na alma. É parceiro incontrolável do inevitável imprevisto. Causa um impacto devastador que seca o fôlego. É carimbo capaz de perdurar por anos á deriva sem nunca ir à pique. Não é uma tradição faz parte do projeto base. Não se traduz, quantifica. Também, não se explica, se exprime. O beijo voa numa velocidade de sonhos e fantasia. É uma solução simples de ponte áerea entre o paraíso e a realidade. Nunca atrasa, propala. É tão dissimulado que vem num impulso e se despede no ímpeto. Bebe na fonte do pecado e regala na faceirice. É tão compremetedor tanto quanto atrativo. Não sobrevive sem prazer. Porém, é bom enquanto dura. O beijo é um selo quando enviado e um malote quando devolvido. Rende mais que as taxas de juros. Só é vendido nas barracas das quermeses e é um construtor de ilusões. Vale mais que mil palavras e é aceito nas mais propícias ocasiões. Quanto mais bandido menos culpado. Todo beijo é inocente até que se prove ao contrário. O melhor de todos é acompanhado de ação integral. Os motivadores são tímidos e menos apelativos. Em compensação, são como refresco para a alma. Ás vezes, o beijo funciona como o pensamento do amor. Faz refletir. Consegue levar o antes para o depois. É sempre uma ebulição. Mexe com todos os sentidos. Acorda quem dorme e agita que está acordado. Beijos são sensações traiçoeiras necessárias. Tem sempre uma agressividade destemida e burocrática. Suga energias das pernas e balança os sentidos. Não se apresenta, interpreta emoção. O beijo é uma atitude que não se consome, mistura opções. Burila lábios e pensamentos ao mesmo tempo. Faz o impossível. É o momento mais esperado do romance e o ponto menos perfeito da encenação. É uma perfeita mística de realização. O momento especial que dois corpos se misturam. Comprometem. As mentes se abraçam, se confundem. Sederrama em suave carinho que rouba a liberdade dos amantes para sempre. É um eterno e sedutor laço sem nó. Prende os casais numa trincheira de sonhos e fantasias enquanto o amor se distrai. *Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colabora com o DC Ilustrado
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