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Cuiabá MT, Quarta-feira, 24 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 10 de Novembro de 2007, 12h:45

JOVEM ARTE

Salão abre na 2ª Feira

Solenidade de abertura de um dos eventos mais tradicionais da arte mato-grossense acontece neste dia 12, a partir das 20:00 na galeria da SEC

Claudio Oliveira
Da Reportagem
A primeira pergunta que se faz o leigo é sobre a juventude no Salão e se faz necessário esclarecer que o Salão Jovem Arte não é para premiar jovens talentos, é para premiar a arte jovem, o oxigênio da arte mato-grossense, o que há de novo no Matão. Por isso talentosos jovens com linguagens híbridas mesclam-se a artistas maduros que produzem uma arte contemporânea que dialoga com a arte do mundo. A crítica não-especializada vê nesta linguagem contemporânea uma ruptura com o padrão do que é arte. É claro que instalações mais ousadas deixam-nos com a pulga atrás da orelha e cito o exemplo de um muro que vi na Bienal de Arte Contemporânea de SP que foi trazido de uma cidade no interior da Bahia, será isto arte? O simbolismo e o poder de intervenção do imaginário urbano presente em nossas paisagens atuais é, sem dúvida, suporte e arte quando é trazido para dentro de um salão. Segundo Carlinhos Ferreira, coordenador da área de intercâmbio da Secretaria Estadual de Cultura – SEC e um dos responsáveis pelo 24° Salão Jovem Arte, “as propostas dos artistas de Mato Grosso ainda estão muito tímidas no que diz respeito à arte contemporânea. Performances, instalações, a gente não vê quase nada.” Os jurados apontaram para uma renovação no Salão, isto é um consenso entre os artistas responsáveis pela montagem e o próprio Jaime Dosan que foi um dos jurados da pré-seleção. Segundo Jaime a primeira etapa foi mais flexível e não houve votação para a escolha do que deveria entrar no Salão e sim, sugestões individuais de cada um dos jurados que foram acatadas por todos para deixar ao júri final com mais opções de escolha. Contudo, os jurados da fase final de classificação: Ludmila Brandão, Rafael Duailibi Maldonado e Marília Beatriz Figueiredo, não escolheram trinta obras para participarem como era previsto. Foram 238 inscrições e pelo volume completa Carlinhos, deveríamos ter mais qualidade, o que os jurados acharam mais prudente foi conservar o objetivo exposto no edital que fala em incentivar a arte contemporânea e as novas linguagens, por isso esta busca por obras que dialogavam com esta realidade. Por conta disso foram selecionadas não 30, mas 21 obras/instalações. Segundo a professora Dr. Ludmila Brandão, que participou das duas fases do processo de seleção, “o que percebemos é que muitos artistas tem habilidade técnica, retratista, mas falta um conceito, uma percepção mais crítica em relação à arte contemporânea. Não foram escolhidas trinta obras, pois não tinham trinta obras que atendessem ao critério estabelecido". Um dos responsáveis pela montagem, Gervane de Paula, chama a atenção para a existência de apenas seis pintores entre os selecionados, sendo que apenas cinco deles apresentaram quadros pintados propriamente e nem todas as suas obras foram selecionadas pelo júri. Ele acredita que esta é uma das melhores edições do Salão, pois ele como artista percebe a “angústia do artista de produzir uma obra a altura do seu tempo. Vemos a menor participação da pintura em favor do vídeo, da fotografia e mesmo da escultura.” E complementa: “Mesmo assim as pinturas, apesar de poucas, estão à altura das intervenções contemporâneas”. Dentro desta linguagem contemporânea aparece um jovem talento chamado Miguel Bezerra que faz parte, segundo Jaime Dosan, de um coletivo(junto com Yuri Firmeza) e que extrapola o vídeo/monitor para uma instalação que dialoga com o tridimensional, pois toda a sala de exibição foi preparada por eles para receber o espectador, então ele sai do vídeo e toma a parede e o chão.” Perguntado sobre a sua arte e os suportes que utiliza Miguel expõe de maneira clara a sua proposta: “Vejo a arte de maneira múltipla, de repente tenho uma idéia e com liberdade procuro experimentar no suporte mais adequado.” Miguel nos informa que na verdade é escritor e iniciou recentemente no terreno das artes visuais. O grande prêmio do Salão foi para Vitória Basaia, que tem uma linguagem contemporânea contundente e inquietante. Mesmo para quem a acompanha a sua arte causa uma estranheza, um ponto de interrogação, um desconforto que traduz o tempo atual. A obra que recebeu o grande prêmio é o Altar, segundo ela, onde o sagrado é realizado, onde é feito o sacrifício. O fio da navalha também é tênue entre o sagrado e o profano, e tão estreito assim é porta do céu segundo a Bíblia. Sua obra reflete a contemporaneidade, valores atemporais e símbolos. “A carne que torna mesa, que se torna alimento sob a cruz de garfo e faca.” Veterana do Salão ela também foi premiada na edição anterior com o segundo prêmio. 1° Prêmio Vitória Basaia – “Altar” 2° Prêmio Regina Penna – “Identidade” 3° Prêmio Roberto de Almeida – “Porco-espinho” Prêmio Estímulo 1. Elieth Grip – “Oratório” 2. Jucelino de Lima – “Justiça I” 3. Luiz Marchetti – “Poesia dos pequenos furtos” 4. Marcio Hudson – “Estradeiro II” 5. Bolívar Figueiredo – “Macro e Micro cerrado“ Artistas selecionados: - Lucia Picanço, “Fé Hi-tech I; Fé Hi-tech II; Fé Hi-tech III”; - Marcos Vergueiro, “Rodeio”; - Lara Matana, “Coluna”; - Valdivino Miranda, “Hermafrodita”, “A criatura”, “O afago do ser marinho”; - Yuri Firmeza, “Investigações Urbanas”; - Daniel Pellegrin, “Operação Abapuru”; - Lorenzo Falcão, “Quarto das letras”; - Nilson Pimenta, “Futebol pelada das peladas”, “Planeta terra”, “Os sem terras na igreja”; - Julho Vilá, ”Neo Impressionante”, “Signos da minha terra”; - Dolírio Vilela, “Solidão”; - Raimundo Reis, “Agosto”; - Sebastião Cunha, “3º Mundo Saco”; - Mario Tibaldi, “As margens da realidade”.

Edição EDIÇÃO 16968




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