ILUSTRADO
Quinta-feira, 13 de Maio de 2010, 21h:41
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CINEMA
Robin Hood e A Estrada
Duas novidades nos telões da cidade. Um filme de aventura que traz a tiracolo um lendário personagem, outro que apresenta um futuro devastado
Claudio de Oliveira
Da Redação
Os cinemas recebem hoje duas estreias, Robin Hood de Ridley Scott (Gladiador) e A Estrada, de John Hillcoat, diretor australiano que tem trabalhos com Nick Cave e a banda Depeche Mode. O destemido arqueiro Robin Hood (Russell Crowe) e seu bando de saqueadores eram ladrões que se preocupavam somente com suas próprias vidas. A história mostra um pouco da sua luta antes de se encontrar nesta situação, enquanto estava ao lado do rei Ricardo Coração de Leão. Todavia estes tempos idos são lembranças para este bando até que decidem enfrentar o poder e a corrupção que tomou conta da cidade de Nottingham, sufocada pelos altos impostos e dominada pelo xerife local (Matthew Macfadyen). Em sua luta contra os poderosos e a favor dos oprimidos, Robin passa a ser considerado um fora da lei e, durante sua cruzada, acaba conhecendo e se apaixonando por Lady Marian (Cate Blanchett). Também estão no elenco os atores William Hurt (O Incrível Hulk), Mark Strong (Sherlock Holmes), Danny Huston (X-Men Origens - Wolverine) e Max von Sydow (Minority Report). A Estrada narra um evento cataclísmico que atingiu a terra, devastando-a por completo. Milhões de pessoas foram erradicadas por incêndios, inundações, a energia elétrica se acabou e outras morreram de fome e desespero. Um pai e seu filho resolvem partir em uma longa viagem pela América destruída, em direção ao oceano, em uma épica jornada de sobrevivência nesse mundo pós-apocalíptico. O filme é baseado no livro best-seller de Cormac McCarthy. Na história, um Homem (Viggo Mortensen) e seu Filho (Kodi Smit-McPhee) vagam pelos destroços do que já foi os Estados Unidos. O roteiro de Joe Penhall mostra essa visão do homem como lobo do homem. Em um planeta moribundo, sem animais a serem caçados ou plantações a serem colhidas, a vontade animalesca do homem em sobreviver consegue suplantar anos de evolução lógica ou de qualquer senso de moralidade adquirido por nossa espécie ao passar das eras. A própria falta de nomes dos protagonistas indica certa desumanização do indivíduo. É por isso que a jornada do Homem e do Filho se torna tão importante. Quando eles falam em manter a chama acesa, é uma referência direta à bondade inerente à visão idealizada da humanidade. Cabe aqui ressaltar o belíssimo trabalho de Viggo Mortensen na criação de seu personagem, não apenas em sua caracterização física esquálida, mas também em nos mostrar todo esse sofrimento e até o amor que ainda carrega por sua esposa. Por falar nela, a personagem é brevemente interpretada por Charlize Theron, que entrega uma das mais fortes performances femininas dos últimos tempos. Segundo Thiago ainda a fotografia, a maquiagem, a direção e a trilha sonora são muito bem resolvidos. A maquiagem que parece simples e a fotografia dão um tom necessário e a direção muito bem conduzida com sensibilidade e habilidade para o suspense. Para Siqueira O desespero e os breves momentos de alento do Homem e do Filho acabam encontrando um eco perfeito na fantástica trilha sonora da película, composta por Nick Cave e Warren Ellis.