ILUSTRADO
Quarta-feira, 02 de Setembro de 2009, 08h:14
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FOTOJORNALISMO
Repórter fotográfico
José Medeiros em foto(E) premiada nacionalmente e Geraldo Tavares(D) em foto poética sobre tráfico de animais
Claudio de Oliveira
Da Reportagem
Hoje é dia do repórter fotográfico. Sem este profissional o jornal teria estagnado no século XIX. Graças à fotografia a revolução da imagem bateu a nossa porta levando os nossos olhos além dos horizontes. Desde o início do século passado, quando a fotografia passou a fazer parte do cotidiano das pessoas, os veículos de comunicação se transformaram. Apesar do invento ter sido patenteado em 1839, a tecnologia para a impressão das imagens é criada no início do século XX e a foto que era redesenhada passa de repente a ser considerada uma testemunha ocular do fato. Sabemos que a verdade está muito além da fotografia, mesmo do vídeo. Técnicas fotográficas antigas como colocar objetos em cena ou pedir para um transeunte deitar no asfalto para retratar um atropelamento são coisas que dificilmente se vêem hoje em dia. Geraldo Tavares, repórter fotográfico há quarenta anos lembra de coisas do tipo. Eu já ouvi falar de fotógrafo tirar a foto do pé da vítima para parecer que foi um flagrante ri ao contar a história. Geraldo é fotógrafo do Diário de Cuiabá há 21 anos e lembra do primeiro emprego ainda em S. José dos Campos. Estava em plena ditadura, a polícia tomou a minha máquina fotográfica e mandou eu correr sem olhar para trás E você? obedeci, era minha primeira cobertura. Depois de lá passou pela Gazeta esportiva onde ficou no laboratório onze meses. Em 1972, morou em Campo Grande um ano e desde então está em Cuiabá. Geraldo fala sem saudade do tempo da analógica quando era preciso economizar filme e papel. Tudo era mais difícil, para uma reportagem a gente fazia umas oito fotos, em uma pauta (matéria cotidiana) fazíamos três. Hoje você faz cem fotos e não custa nada para o veículo. José Medeiros é um dos fotojornalistas mais bem sucedidos em MT. Seu site (WWW.josemedeiros.com.br) é referência estadual e nacional quando o assunto é MT. Seu acervo é muito rico principalmente segundo ele porque a caminho de uma pauta mantém os olhos bem abertos para perceber outras situações que merecem registro, mesmo quando não sabe ao certo quando usará aquelas imagens. Medeiros está no Diário há quinze anos (entre idas e vindas) e diz que gastava mais fotos quando ainda era analógico. Para Medeiros: Acho que com a experiência (ele começou em 1994) eu passei a errar menos e focar mais em uma foto. Recentemente ganhou o prêmio nacional da John Deere de fotografia, 2° lugar na categoria Campo. Para Medeiros foto em jornal é furo e em revista é o trabalho inédito, ele mesmo explica: com o tempo que você tem a mais para produzir a foto da revista tem que ser diferente, exige uma produção há mais. Mas também a gente tem mais recurso para fazê-la, as vezes a gente se desloca 500 Km para fazer uma foto relata a recente experiência de fotografar para a Produtor Rural. Outro fotógrafo que trabalhou muitos anos aqui no DCbá foi o Mauricio Barbant para quem uma foto deve responder às mesmas perguntas de um lead. Para quem não sabe o lead em jornalismo deve responder as perguntas básicas da matéria: Quem? Quando? Como? Onde? Por que?. Uma tese interessante que traz um desafio ao repórter fotográfico. A equipe do Estadão mantém um blog de fotografia (http://blog.estadao.com.br/blog/blogdafoto) mostrando os bastidores desta aventura. Relatos sobre a cobertura da gripe suína, ou encontro do G8 dão uma sensação de voyer, como se estivéssemos olhando por trás das cortinas. Segundo Wilson Pedrosa: Quem vê uma foto de um evento internacional como G-8, em L'Áquila, Itália, não imagina que o processo se inicia meses antes da cobertura. Depois da confirmação, o jornalista viaja e começa a batalha por credenciais em separado para cada um dos eventos, neste caso em especial foram uns 100 eventos em três dias, acotovelando-se com outros mil jornalistas do mundo todo. Integram a equipe de repórteres fotográficos do Diário de Cuiabá: Lourival Fernandes, Adia Borges e Sol Manzutti.