ILUSTRADO
Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2013, 20h:14
A
A
ACADEMIA
Reminiscências estudantis (II)
Os meninos lavrando carrinhos de madeira ou enrolando serpentina e, com os anéis aí formados, edificando casinhas, árvores ou desenhando bandeiras; ou fabricando caleidoscópios; as meninas usavam os bastidores (círculos concêntricos de madeira), destinados a esticar um pano de morim, permitindo o trançar de agulhas de um lado para outro, cobrindo com fios coloridos, o desenho feito a carbono. Quanto às matérias estudadas no 1º, 2º, 3º e 4º anos, com pequenas variações: português (ou língua pátria), geografia, história do Brasil, desenho, ciências naturais, aritmética, trabalhos manuais e caligrafia. No concernente aos momentos de diversão, em casa, nos Domingos e dias feriados, lembraram-se da: boneca de pano feita pelas meninas, e, para ambos os sexos, as demonstrações de habilidades com o uso do iô-iô, o ping-pong e o bilboquê (redondo ou quadrado) em que se porfiavam as vezes seguidas que se colhiam pontos. Outros, porém, mencionaram os tabuleiros de dama, torrinha, e, alguns, até, o xadrez. Os meninos, por sua vez, se entretinham, também, com o estilingue com forquilhas de goiabeira ou um maior, denominado funda ou atiradeira em que o polegar e o fura-bolo é que estiravam a borracha. Muitos se referiram às pandorgas (ou pipas) multicolores, de caudas vistosas, que eram empinadas sobretudo em agosto (por causa dos ventos) em competições entre meninos de um bairro contra os de outro, muito concorridas. Muito disputadas, também, entre os meninos, as competições do pião atirado pela fieira, a bolinha de gude disputada no chão e a destreza em andar sobre pernas de pau. Alguns, jocosamente, não de esqueceram de mencionar que, ao pedir à professora para irem ao banheiro da Escola, uns usavam a palavra casinha outros a breve. Muitas senhoras e senhores (entrevistados) se lembraram de seu tempo de estudante, admirando (ou, mesmo, fazendo) o caleidoscópio (ou calidoscópio) que se comprava em algumas livrarias, sendo fácil sua confecção artesanal: um tubo de 25 a 30 cm, envolvendo 3 tiras de espelho em forma de triângulo. Dentro, pedadinhos de vidro em vários formatos e de cores diversas: amarela, vermelha, verde e azul. Em uma das pontas, um visor. Rodando-se o tubo, eram formadas dezenas e centenas de figuras de inigualável beleza! Quantos, relataram as emoções sentidas, que contadas por seus avós, vividas por seus bisavós no bonde de tração animal, em dia aprazado, locomoviam-se até o porto, a fim de fazer as despedias de colegas que iam estudar no Rio de Janeiro. Tomavam o vapor que, deslizando as águas do rio Cuiabá e Paraguai, tocavam o Porto de Corumbá, e, mais adiante, Porto Murtinho, e, pelo rio Paraná, passando por Assunção; prosseguindo pelo Rio da Prata, chegavam a Buenos Aires e Montevidéu, e, depois, subindo o Atlântico, aportavam, finalmente, em Santos ou Rio de Janeiro. Eram 35 dias de viagem... sim senhor! Do porto, os ficantes acenando com chapéus e lenços aos viajantes... O vapor virou lá na curva! Últimos acenos ... Só no fim do ano, agora!! - quantos diziam, lencinho à mão... Objetivo? Iam cursas o ginasial (5ª à 8ª séries) em São Paulo ou na, então, Capital Federal (Rio). Isso, contudo, após a segunda metade do século XIX, pois que, antes disso, os conhecimentos acima do primário só se poderia obter em Portugal (Coimbra), na França (Paris ou Montpellier) ou na Inglaterra, mediante 2 condições muito difíceis: altas condições financeiras de seus pais e (amais difícil) a autorização de Lisboa para que a pessoa pudesse sair da Colônia, sobretudo quando o objetivo era estudar. Para os que não tinham essas condições financeiras (e permissão da Coroa), o jeito era terminar o curso primário e... esperar o surgimento do ginásio, curso técnico ou científico e (esperança das esperanças)... o curso superior, esse reservado a, quando muito, 0,01% da população! Nesse ínterim, era ajudar os pais em suas atividades rurais ou citadinas, e nas folgas de final de semana, embrenhar-se na mata a fim de caçar, ou, na beira do rio pescando - atividades ainda sem controle. Acadêmico José Ferreira de Freitas - Cadeira 32 OBS: O artigo publicado no dia 15/01/13, intitulado Reminiscência estudantis (I), e, também do Acadêmico José Ferreira de Freitas, cadeira 32. Fica aqui, a correção.